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Falta de padronização em dados das bets dificulta cálculo de bilhões destinados ao esporte

Bilhões de reais destinados ao esporte por meio das apostas esportivas no Brasil ainda são calculados com base em informações fornecidas pelas próprias operadoras, sem padronização técnica e com fiscalização limitada. Os recursos decorrem de destinação obrigatória prevista na legislação que regula o setor e têm como base o volume de apostas realizadas em competições esportivas específicas.

O alerta foi feito em nota assinada pelo jornalista Guilherme Amado, publicada em veículos de circulação nacional. O principal problema está na forma de apuração dos valores. A identificação das apostas realizadas em cada competição, elemento central para definir quanto cada entidade esportiva deve receber, depende de relatórios enviados pelas operadoras, que utilizam nomenclaturas distintas e formatos variados.

A ausência de um padrão único dificulta a automatização dos cálculos e amplia o risco de distorções na distribuição dos recursos. Como consequência, o processo exige revisões constantes e análises adicionais para evitar inconsistências.

Criado pelo Ministerio da Fazenda para centralizar e organizar esses repasses legais, o Escritorio Nacional de Distribuicao de Recursos (ENDR) passou a utilizar ferramentas de inteligência artificial para identificar falhas, divergências e inconsistências nos dados recebidos das bets. Apenas no primeiro semestre do ano, o órgão processou mais de 2 bilhões de registros de apostas.

O modelo adotado concentra em um único repasse mensal os valores devidos pelas operadoras. A partir desse montante consolidado, os recursos são distribuídos a federações, confederações e outras entidades esportivas, conforme critérios definidos em lei e de acordo com o volume de apostas vinculadas a cada competição.

A centralização simplificou o fluxo financeiro e reduziu a fragmentação dos pagamentos, mas também tornou a distribuição dos recursos altamente dependente da qualidade das informações fornecidas pelas operadoras. Fontes do setor apontam que, sem padronização clara e mecanismos mais robustos de auditoria, o sistema permanece vulnerável a erros e distorções nos valores repassados.

O cenário reforça a necessidade de avanços técnicos e regulatórios para garantir maior precisão, transparência e rastreabilidade na destinação dos recursos do mercado de apostas ao esporte brasileiro.

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