Polymarket se recusa a pagar apostas sobre “invasão” dos EUA à Venezuela e provoca revolta entre usuários
Plataforma alega que captura de Nicolás Maduro não atende aos critérios contratuais; mais de US$ 10,5 milhões foram apostados no mercado
A plataforma de mercados de previsão Polymarket enfrenta forte reação de apostadores após anunciar que não irá pagar contratos ligados a uma suposta invasão dos Estados Unidos à Venezuela. Segundo a empresa, a captura do então presidente Nicolás Maduro não se enquadra na definição de “invasão” prevista nas regras do mercado, conforme reportagem do jornal britânico The Guardian, repercutida no Brasil.
Mercados de previsão são plataformas em que usuários negociam contratos baseados em resultados futuros e incertos na política, economia ou esportes transformando palpites em ativos. O preço desses contratos reflete a probabilidade coletiva atribuída ao evento. No caso em questão, operadores destinaram mais de US$ 10,5 milhões a apostas sobre a possibilidade de uma invasão dos EUA à Venezuela ao longo do ano, com diferentes prazos de vencimento, sobretudo até 31 de janeiro, além de contratos para o fim de março e dezembro. Alguns investidores colocaram dezenas de milhares de dólares nessas posições.
Antes da operação militar que resultou na captura de Maduro, alguns apostadores parecem ter antecipado o movimento ao realizar apostas de grande volume. Um operador anônimo, por exemplo, apostou US$ 30 mil que Maduro estaria fora do poder até 31 de janeiro. Após o anúncio da captura, o retorno projetado dessa aposta superou US$ 436 mil. Ainda assim, a plataforma informou que o contrato não seria liquidado como vencedor.
Em nota, a Polymarket afirmou que o mercado se refere a “operações militares dos EUA destinadas a estabelecer controle” e que declarações políticas ou menções a negociações em curso não caracterizam uma invasão. A empresa sustenta que a missão de captura e extração do líder venezuelano, isoladamente, não atende aos critérios definidos no contrato.
A decisão gerou indignação entre usuários. Um apostador identificado como Skinner criticou o que chamou de arbitrariedade na interpretação dos termos, afirmando que conceitos estariam sendo redefinidos à vontade e desconectados de significados amplamente reconhecidos. Para ele, não classificar uma incursão militar com a captura de um chefe de Estado como invasão seria “claramente absurdo”.
A controvérsia ocorre em um momento de crescimento dos mercados de previsão. A Polymarket obteve aprovação regulatória para operar nos Estados Unidos em 2025 e vem ganhando popularidade em outros países, como o Reino Unido, embora ainda não possua licença local. O episódio reacende o debate sobre a clareza dos critérios contratuais e os limites desses mercados ao lidar com eventos geopolíticos complexos, nos quais definições operacionais podem determinar perdas e ganhos de grande monta.



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