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Um ano do mercado regulado de apostas no Brasil coloca tecnologia e proteção ao jogador no centro do debate

Reconhecimento facial, KYC e integridade digital ganham protagonismo às vésperas da primeira Copa do Mundo sob ambiente de bets licenciadas

Janeiro de 2026 marca um ponto simbólico para o setor de apostas no Brasil. O mercado regulado completa um ano de operação justamente no período em que o país se prepara para disputar a primeira Copa do Mundo sob um ambiente de plataformas de apostas licenciadas. O marco amplia o debate sobre como a tecnologia vem sendo empregada para proteger o jogador, preservar a integridade esportiva e garantir segurança digital em larga escala.

Desde a regulamentação, as operadoras autorizadas passaram a cumprir exigências técnicas e operacionais inexistentes de forma padronizada no passado. Entre elas, o reconhecimento facial integrado aos processos de Know Your Customer (KYC) se consolidou como uma das principais ferramentas de controle, funcionando como porta de entrada para outras camadas de proteção, como limites de uso, autoexclusão e monitoramento de integridade.

Apesar do avanço regulatório, o mercado ainda está em fase de amadurecimento. O setor convive com debates legislativos, pressões por mudanças tributárias e tentativas de revisão das regras originais, o que adiciona complexidade ao processo de consolidação. Nesse cenário, cresce o desafio de fazer com que o apostador compreenda a diferença entre plataformas licenciadas e ambientes clandestinos, especialmente em um ecossistema digital em que a aparência dos sites pode ser semelhante.

Levantamento do Instituto Locomotiva, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, aponta que 78% dos brasileiros consideram difícil distinguir sites legais de ilegais, enquanto 72% afirmam que nem sempre conseguem verificar se uma plataforma é regularizada. A construção da confiança, portanto, passa pela transparência dos processos e pela adoção de tecnologias que comprovem o cumprimento das normas.

A biometria facial utiliza características únicas do rosto para validar a identidade de uma pessoa. No mercado regulado de apostas, ela é aplicada de forma integrada aos protocolos de KYC, que combinam verificação documental, checagens cadastrais e validação biométrica. Na prática, o usuário precisa comprovar que é uma pessoa real, maior de idade e titular legítimo da conta desde o primeiro acesso.

Esse mecanismo reduz cadastros falsos, o uso de documentos de terceiros e a criação de múltiplas contas com a mesma identidade, práticas historicamente associadas a fraudes. Além disso, o reconhecimento facial amplia a rastreabilidade das operações, permitindo que etapas relevantes da jornada do usuário sejam associadas a uma identidade validada, o que fortalece auditorias e a fiscalização exigida pela legislação.

A aplicação da biometria não se limita ao cadastro inicial. Em plataformas licenciadas, a verificação pode ocorrer de forma contínua ao longo da experiência do jogador, reduzindo riscos como compartilhamento de contas ou tentativas de burlar controles de segurança. Essa camada é essencial para a efetividade das políticas de Jogo Responsável.

Funcionalidades como limites de depósito, limites de perda, restrições de tempo e autoexclusão dependem da certeza de que quem interage com a conta é o titular validado. Ao integrar reconhecimento facial aos sistemas de proteção, o mercado regulado cria condições para que essas medidas sejam efetivamente cumpridas, e não apenas declaradas.

A adoção de reconhecimento facial está diretamente ligada à existência de um arcabouço regulatório que exige padrões mínimos de segurança, governança e prestação de contas. No mercado licenciado, a biometria se conecta a sistemas de controle, auditoria e rastreabilidade, capazes de monitorar operações, identificar inconsistências e responder às exigências de órgãos supervisores.

Essas soluções operam de forma integrada a tecnologias como inteligência artificial, machine learning e análise de dados, utilizadas para observar padrões de comportamento, fluxos financeiros, geolocalização, dispositivos e possíveis anomalias estatísticas. O nível de investimento e conformidade exigido restringe essa estrutura ao mercado regulado.

Plataformas clandestinas operam fora do escopo regulatório e não são obrigadas a adotar reconhecimento facial, KYC robusto ou mecanismos formais de proteção ao jogador. Pesquisa do IBJR indica que 46% dos entrevistados já depositaram dinheiro em uma plataforma posteriormente identificada como irregular, e 73% afirmam ter utilizado ao menos uma plataforma ilegal mapeada em 2025.

No ambiente clandestino, não há garantias de fiscalização, auditoria ou resposta institucional em caso de problemas. Já no mercado regulado, a aplicação de tecnologias de identificação e controle está vinculada a obrigações de transparência e integridade, criando um ambiente mais seguro do ponto de vista operacional.

Para reduzir a assimetria de informação, o IBJR desenvolveu o BetAlert, ferramenta que permite ao consumidor verificar se uma operadora possui licença para atuar no Brasil. A iniciativa funciona como instrumento de educação digital, ajudando o usuário a reconhecer ambientes regulados e evitar plataformas que não oferecem mecanismos formais de proteção.

Alguns sinais ajudam a identificar plataformas legalizadas: presença de KYC com verificação documental e reconhecimento facial, existência de limites de depósito, perda e tempo de uso, opções claras de autoexclusão, políticas transparentes de segurança digital e possibilidade de verificação da licença por bases oficiais.

Em um cenário regulatório ainda em consolidação, comunicar de forma clara como funcionam as tecnologias aplicadas ao setor torna-se parte essencial da proteção ao consumidor. O IBJR atua ao reunir operadoras licenciadas, promover boas práticas e ampliar o acesso à informação sobre segurança, integridade esportiva e Jogo Responsável.

Ao evidenciar o papel do reconhecimento facial e de outras camadas tecnológicas no mercado regulado, o setor busca fortalecer a confiança do apostador, diferenciar ambientes legais de estruturas clandestinas e consolidar uma cultura de compliance no ecossistema de apostas online no Brasil.

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