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BRB avalia venda da BRB Financeira para reforçar capital após impacto de operações com o Master

Subsidiária digital pode render até R$ 1 bilhão em meio a plano de capitalização supervisionado pelo Banco Central

A direção do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, estuda a venda da BRB Financeira, braço digital da instituição com atuação em diferentes regiões do país. A medida integra um conjunto de iniciativas para recompor o capital do banco, impactado por operações envolvendo o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.

A BRB Financeira atua principalmente em crédito consignado público e privado, financiamento de veículos e antecipação do FGTS. De acordo com interlocutores da instituição, a alienação da subsidiária faz parte do plano de capitalização apresentado ao Banco Central do Brasil (BC).

Procurado, o BRB informou que o plano de reforço de capital está fundamentado em soluções de mercado e em instrumentos previstos na regulamentação vigente. Fontes ouvidas sob reserva confirmam que a venda da subsidiária é uma das alternativas consideradas para fortalecer o balanço da instituição.

Interesse de mercado e possível participação da Caixa

Executivos próximos às negociações afirmam que ao menos três players demonstraram interesse na BRB Financeira. Entre eles estaria a Caixa Econômica Federal, embora qualquer movimento nesse sentido dependa de aval do Ministério da Fazenda, responsável pela gestão da instituição federal. Procurada, a Caixa informou que não comentaria o assunto.

Estimativas de mercado indicam que a venda da BRB Financeira pode gerar entre R$ 750 milhões e R$ 1 bilhão, recursos que seriam direcionados à recomposição de capital.

Histórico recente e medidas adicionais

No ano passado, a então presidência do BRB, sob comando de Paulo Henrique Costa, chegou a vender 49% da BRB Financeira. O negócio, no entanto, foi desfeito pela nova direção. Em comunicado divulgado em 26 de dezembro, o banco informou que o distrato ocorreu por decisão consensual, considerando que a operação estava condicionada ao cumprimento de exigências contratuais e regulatórias junto ao Banco Central.

Além da possível venda da subsidiária, o plano apresentado ao BC inclui alienação de carteiras e outros ativos, estruturação de fundo imobiliário com imóveis do banco e a contratação de empréstimo via Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou por meio de um consórcio de bancos. A autoridade monetária estima necessidade de aporte de aproximadamente R$ 5 bilhões para reequilibrar a instituição.

Na sexta-feira, o Governo do Distrito Federal encaminhou projeto de lei à Câmara Legislativa solicitando autorização para recompor o capital social do BRB. A proposta prevê aportes patrimoniais, inclusive com bens móveis e imóveis, e lista 12 áreas do governo local que poderão participar do esforço de capitalização. O Executivo local também pediu autorização para contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o objetivo de reforçar o banco.

A atual gestão do BRB tem até o fim de março para concluir a equação financeira e apresentar o balanço de 2025. As operações de compra de carteiras do Banco Master somaram R$ 12,2 bilhões e integravam a estratégia da antiga diretoria para aquisição da instituição de Daniel Vorcaro. A operação foi vetada pelo Banco Central, que liquidou o Banco Master em dezembro do ano passado.

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