Padre vence rifa organizada pela própria paróquia e caso gera debate sobre transparência
Uma rifa beneficente promovida pela Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Florianópolis, terminou com um desfecho que gerou repercussão e questionamentos entre fiéis e nas redes sociais. O prêmio principal — um Fiat Argo 0 km — teve como ganhador o próprio organizador da ação, o padre Eduardo Senna.
O sorteio foi realizado durante a missa de Páscoa, na Igreja Matriz, e o bilhete vencedor não continha identificação preenchida. Durante a cerimônia, o próprio pároco reconheceu publicamente que o número sorteado era dele, explicando que havia adquirido bilhetes, mas optado por deixá-los em branco.
A ação, chamada “Ação Entre Amigos”, tinha como objetivo arrecadar recursos para a reforma de cinco comunidades vinculadas à paróquia: São Pedro, São Brás, Divino Espírito Santo, Sagrada Face e a própria Matriz. Cada bilhete foi vendido por R$ 50, com pagamentos realizados via Pix.
O episódio rapidamente ganhou repercussão e abriu debate sobre ética e transparência em sorteios beneficentes, especialmente quando organizadores participam da própria ação. Parte da comunidade questionou a condução do processo, principalmente pelo fato de o bilhete premiado não possuir identificação, o que dificulta a comprovação formal da titularidade.
Uma catequista que colaborou com a venda dos bilhetes relatou desconforto com a situação, afirmando que se sentiu constrangida diante das pessoas para quem vendeu a rifa. Segundo ela, a percepção de conflito de interesses compromete a credibilidade da ação.
Outros membros da comunidade também demonstraram insatisfação, embora, de acordo com relatos, muitos evitem se posicionar publicamente por receio de exposição ou possíveis consequências dentro do ambiente religioso.
Por outro lado, há quem defenda a legitimidade do resultado. Parte dos fiéis argumenta que, ao adquirir bilhetes, o padre teria o mesmo direito de participar do sorteio como qualquer outro contribuinte, independentemente de sua posição como organizador.
Além do carro, a rifa incluiu outros prêmios, como televisão, air fryer, notebook, churrasqueira elétrica, bicicleta e micro-ondas, todos entregues a outros ganhadores sem contestação conhecida.
Nas redes sociais, especialmente nos comentários da publicação oficial da paróquia, as opiniões ficaram divididas. Enquanto alguns parabenizaram o pároco, outros levantaram questionamentos sobre a lisura do processo, sugerindo que sorteios desse porte deveriam ser vinculados à Loteria Federal, prática comum para garantir maior transparência e credibilidade.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o número total de bilhetes vendidos, a quantidade adquirida pelo padre ou o valor arrecadado com a campanha. Também não há registro de denúncia formal relacionada ao caso.
Nem a paróquia nem a Arquidiocese local se manifestaram oficialmente sobre os questionamentos levantados até a publicação das informações, mantendo o episódio em aberto no debate público sobre boas práticas em ações beneficentes.



Publicar comentário