IBJR defende foco no combate às apostas ilegais após campanha contra bets ganhar força nas redes
Instituto afirma que principais riscos aos consumidores estão em plataformas clandestinas e reforça importância da regulamentação para proteção dos apostadores
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se manifestou sobre a campanha “Block no Tigrinho”, que reúne artistas e representantes da sociedade civil em ações de conscientização sobre os impactos das apostas online. Para a entidade, o debate sobre o chamado jogo predatório deve concentrar esforços principalmente no combate às plataformas ilegais que atuam fora da regulamentação brasileira.
Segundo o instituto, os maiores riscos aos consumidores estão justamente em operadores clandestinos, que funcionam sem fiscalização, sem mecanismos de proteção e sem compromisso com as normas estabelecidas pelo Governo Federal.
O posicionamento surge após a mobilização de artistas que defendem medidas mais rígidas para reduzir os impactos financeiros e psicológicos associados às apostas online no país.
Regulamentação é apontada como ferramenta de proteção
De acordo com o IBJR, as empresas autorizadas a operar no Brasil estão submetidas a uma série de exigências regulatórias voltadas à proteção dos usuários.
Entre as medidas obrigatórias estão sistemas de identificação dos apostadores, reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites para depósitos, monitoramento de comportamento de risco e mecanismos de prevenção ao jogo problemático.
Além disso, as plataformas regulamentadas não podem oferecer determinadas formas de pagamento consideradas mais sensíveis para o controle financeiro dos usuários.
O instituto destaca que as operadoras legalizadas podem ser identificadas pelo domínio “.bet.br”, criado para diferenciar empresas autorizadas das plataformas que atuam sem licença.
Mercado ilegal movimenta bilhões fora da fiscalização
O IBJR argumenta que o principal desafio do setor atualmente é o crescimento das operações clandestinas.
Segundo dados citados pela entidade, as plataformas ilegais movimentariam cerca de R$ 40 bilhões por ano fora do alcance dos órgãos reguladores. O instituto afirma ainda que a atividade irregular gera perdas bilionárias em arrecadação tributária e dificulta a implementação de mecanismos de proteção aos consumidores.
Por outro lado, o mercado regulado destaca que as empresas autorizadas contribuem com tributos e repasses destinados a áreas como esporte, educação, turismo e segurança pública.
Debate sobre publicidade continua
Outro ponto abordado pelo instituto envolve a publicidade das apostas. O IBJR defende que eventuais restrições sejam direcionadas principalmente às empresas clandestinas, que frequentemente utilizam influenciadores e canais digitais sem seguir regras de transparência ou informar riscos aos usuários.
Segundo a entidade, a comunicação realizada pelas operadoras autorizadas também desempenha a função de ajudar os consumidores a identificar quais plataformas estão devidamente licenciadas.
O instituto argumenta que limitações excessivas à publicidade das empresas reguladas podem gerar um efeito contrário ao esperado, dificultando a diferenciação entre operadores legais e ilegais.
Entidade propõe diálogo
Ao final da manifestação, o IBJR afirmou estar disposto a colaborar com os organizadores da campanha para fornecer informações técnicas sobre o funcionamento do setor e esclarecer diferenças entre o mercado regulamentado e as operações clandestinas.
A entidade reforçou seu compromisso com a defesa de um ambiente de apostas considerado seguro, transparente e alinhado às práticas internacionais de proteção ao consumidor.
O debate sobre os impactos das apostas online segue em evidência no Brasil, envolvendo representantes da indústria, autoridades públicas, especialistas em saúde e integrantes da sociedade civil em meio à consolidação da regulamentação do setor.



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