Carregando agora

Alckmin sinaliza novas restrições às apostas online após reunião com lideranças do varejo

Debate sobre impacto das bets no consumo das famílias ganha força e expõe divergências entre setores econômicos

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira que o governo federal pretende adotar novas restrições às plataformas de apostas online. A declaração foi feita durante reunião com representantes do setor varejista em Brasília.

Participaram do encontro o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), Leonardo Miguel Severini, e um representante da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (ABAAS). O objetivo principal da reunião foi agradecer o apoio do vice-presidente à aprovação do projeto de lei que autoriza a instalação de farmácias completas em supermercados.

O encontro também evidenciou a estratégia de entidades do varejo de associar o crescimento das apostas online à redução do desempenho do consumo e ao aumento do endividamento das famílias brasileiras. A discussão sobre o setor tem ganhado espaço nas agendas políticas e econômicas.

Em publicação nas redes sociais, Alckmin destacou que o governo optou por regulamentar e tributar as apostas para retirar a atividade da clandestinidade. Segundo ele, novas medidas devem ser implementadas para reduzir riscos relacionados ao uso de jogos em dispositivos móveis e à ludopatia.

Durante o encontro, o vice-presidente também comentou outros temas de interesse do varejo, como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e a sanção presidencial prevista para o projeto que amplia a oferta de farmácias em supermercados.

A relação entre apostas online e consumo tem sido alvo de controvérsia. Em junho de 2025, a ABRAS lançou uma campanha nas redes sociais defendendo maior tributação sobre o setor. A iniciativa incluiu a divulgação de material institucional que relacionava o crescimento das apostas a problemas econômicos e sociais.

Em resposta, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) ingressou com ação judicial questionando a veracidade das informações divulgadas. A entidade argumenta que não há evidências empíricas que vinculem diretamente o desempenho do varejo ao mercado regulado de apostas.

Dados oficiais citados pela associação indicam que o comércio varejista registrou crescimento de 4,7% em 2024, segundo estatísticas do IBGE. Já informações obtidas pelo Ministério da Fazenda mostram que a maioria dos apostadores brasileiros realiza gastos mensais considerados baixos, com tíquete médio de cerca de R$ 122 em 2025.

O debate sobre o tema tem mobilizado diferentes setores da economia e da política. Enquanto representantes do varejo defendem maior controle sobre as apostas digitais, entidades ligadas ao setor de jogos ressaltam a importância da regulamentação e da tributação como forma de fortalecer o mercado formal e reduzir a atuação de operadores ilegais.

A eventual adoção de novas restrições pelo governo federal pode influenciar diretamente o ambiente regulatório do setor e aprofundar a disputa entre segmentos econômicos com visões distintas sobre os impactos das apostas online no país.

Publicar comentário

VOCÊ PODE TER PERDIDO