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Apostas esportivas movimentaram R$ 37 bilhões no Brasil em 2025 e expõem dilemas econômicos e sociais do setor

As apostas esportivas geraram uma receita de R$ 37 bilhões no Brasil ao longo de 2025, segundo dados divulgados pelo governo federal na sexta-feira, 24 de janeiro. O montante supera o Produto Interno Bruto (PIB) de países como a Groenlândia, evidenciando a dimensão econômica que o setor alcançou no país.

Os números também reacenderam o debate público em torno das bets e confrontam críticas recorrentes feitas por captadores de investimentos e influenciadores financeiros. Um dos exemplos recentes envolve Thiago Nigro, conhecido como “O Primo Rico”, que usou seu perfil no Instagram para criticar brasileiros que apostam em plataformas esportivas em vez de investir. Nigro, que soma mais de 10 milhões de seguidores, é autor do livro Do Mil ao Milhão e fundador do Grupo Primo, voltado à captação de investidores para produtos financeiros.

De acordo com os dados oficiais, cerca de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas esportivas no ano passado, o equivalente a aproximadamente um em cada oito habitantes do país. O volume foi registrado mesmo após restrições impostas pelo governo federal, que proibiu a participação de pessoas cadastradas em programas sociais, como o Bolsa Família, nessas plataformas.

Apesar do crescimento econômico, os números também indicam um lado sensível do setor. O Ministério da Fazenda informou que 217 mil brasileiros solicitaram a exclusão de suas contas em plataformas de apostas ao longo de 2025. Entre os motivos declarados, 37% dos usuários afirmaram ter perdido o controle sobre o hábito de apostar, relatando impactos negativos na saúde e no bem-estar.

Os dados reforçam a preocupação com o possível avanço de comportamentos aditivos ligados às apostas esportivas. Especialistas alertam que esse tipo de problema pode comprometer o patrimônio familiar e desviar recursos que poderiam ser destinados a investimentos, empreendimentos ou à aquisição de bens duráveis, como imóveis.

Outro ponto levantado no debate é o efeito real dessas cifras na economia brasileira. Parte relevante da receita gerada pelas empresas de apostas não permanece no país. Muitas operadoras transferem os valores arrecadados para o exterior, o que reduz o impacto positivo direto desses recursos no desenvolvimento econômico nacional.

Ainda assim, analistas defendem que os números precisam ser contextualizados. Ao dividir o total movimentado em 2025 (R$ 37 bilhões) pelo número de apostadores, chega-se a uma média anual de R$ 1.468,25 por pessoa, o que equivale a aproximadamente R$ 122,35 por mês. O valor é comparável ao gasto médio com lazer, como uma ida ao cinema ou a uma pizzaria.

Essa leitura contraria tentativas de demonizar o setor ou de retratar os apostadores, de forma generalizada, como financeiramente irresponsáveis. O cenário indica que o desafio central para o Brasil está menos no volume financeiro das apostas e mais na construção de um modelo regulatório capaz de equilibrar arrecadação, proteção ao consumidor e impacto econômico efetivo.

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