Geração Z e millennials lideram investimentos de alto risco nos EUA, aponta estudo
Pesquisa revela avanço de criptomoedas, apostas e mercados de previsão entre jovens que se sentem financeiramente atrasados
Um estudo divulgado em 2026 pela Northwestern Mutual acendeu um alerta sobre o comportamento financeiro de jovens nos Estados Unidos. Segundo o levantamento “Planejamento e Progresso 2026”, integrantes da Geração Z e millennials estão liderando a adesão a ativos especulativos de alto risco, como criptomoedas, apostas esportivas e mercados de previsão.
A pesquisa indica que 24% dos americanos investem em criptomoedas, enquanto 17% participam de apostas esportivas ou mercados baseados em previsões. Entre os mais jovens, os números são ainda mais expressivos. Na Geração Z, 32% afirmam investir em ambas as categorias. Já entre os millennials, 35% aplicam em criptomoedas e 24% em apostas ou previsões.
De acordo com a gestora, esse movimento reflete uma busca por alternativas mais rápidas de crescimento financeiro. No entanto, o comportamento levanta preocupações, já que envolve ativos com alto grau de volatilidade e risco elevado.
Um dos principais fatores por trás dessa tendência é a percepção de atraso financeiro. O estudo aponta que 73% dos americanos se consideram financeiramente atrás do esperado. Esse sentimento é ainda mais forte entre os jovens: atinge 80% da Geração Z e 75% dos millennials.
A análise destaca que inflação elevada, salários estagnados e dívidas estudantis contribuem para esse cenário. Diante disso, muitos jovens passam a enxergar investimentos de alto risco como uma forma de “recuperar o tempo perdido” financeiramente.
A Northwestern Mutual alerta que esse comportamento pode estar associado à chamada falácia do apostador — quando indivíduos assumem mais riscos acreditando que podem compensar perdas anteriores ou acelerar ganhos futuros. Esse tipo de decisão tende a aumentar a exposição a prejuízos.
O estudo também foi divulgado em meio a críticas direcionadas a plataformas de investimento e apostas. Corretoras digitais, mercados de previsão e casas de apostas vêm sendo questionadas por direcionar seus serviços a um público jovem, potencialmente mais vulnerável a riscos financeiros.
Os dados reforçam que apenas uma pequena parcela dos apostadores esportivos obtém lucro consistente no longo prazo. Em mercados de previsão, a maioria dos investidores individuais também registra perdas, especialmente entre novos usuários.
Em alguns casos, plataformas desse tipo podem acelerar o processo de perda de capital, agravando a situação financeira de jovens que já se sentem pressionados economicamente.
Diante desse cenário, a recomendação da gestora é de cautela. Segundo John Roberts, diretor de operações da Northwestern Mutual, ativos de alto risco podem até fazer parte do portfólio, mas devem ser tratados como entretenimento financeiro.
Ele orienta que os investidores utilizem apenas valores que possam perder integralmente, mantendo o foco principal em estratégias tradicionais e comprovadas para construção de patrimônio no longo prazo.
O estudo reforça um movimento crescente entre as novas gerações, ao mesmo tempo em que levanta um debate importante sobre educação financeira, responsabilidade das plataformas e os riscos associados à busca por ganhos rápidos.



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