Mercados de previsão avançam no Brasil e colocam pagamentos no centro da expansão do setor
Nova modalidade ganha força após país se consolidar entre os maiores mercados globais de apostas
Após o mercado de apostas regulamentado no Brasil movimentar R$ 37 bilhões em receita bruta no primeiro ano e posicionar o país como o quinto maior do mundo no setor, uma nova modalidade começa a ganhar espaço: os mercados de previsão.
Nessas plataformas, usuários negociam contratos baseados em eventos futuros — que podem envolver decisões políticas, indicadores econômicos ou acontecimentos globais — com preços que variam conforme a percepção coletiva sobre a probabilidade de cada resultado. O modelo combina informação, análise e capital em tempo real, transformando expectativas em ativos negociáveis.
Empresas internacionais já demonstram interesse no mercado brasileiro. A Kalshi, startup americana avaliada em bilhões de dólares, declarou que o Brasil está no radar da companhia. Já a Polymarket, que ainda não opera oficialmente no país, mantém contratos relacionados ao Brasil e vem sendo citada por veículos internacionais como termômetro das expectativas políticas e econômicas.
Projeções do Citizens Financial Group indicam que empresas como Kalshi, Polymarket e PredictIt podem multiplicar a receita por cinco e ultrapassar US$ 10 bilhões até 2030. Caso esse cenário se confirme, um movimento mais intenso em direção à América Latina tende a ocorrer — e o Brasil aparece como mercado estratégico.
No entanto, além da regulação, há outro elemento essencial para viabilizar essa expansão: os meios de pagamento.
“Os mercados preditivos misturam informação, opinião e dinheiro em tempo real”, afirma André Boesing, GM South Latam da OKTO PAYMENTS. Segundo ele, apesar da experiência parecer simples para o usuário final, a operação financeira por trás exige estrutura robusta, conformidade regulatória e alta disponibilidade tecnológica.
Em mercados de previsão, a velocidade é determinante. Se uma notícia relevante surge — como um dado econômico inesperado ou uma decisão política — o usuário precisa conseguir depositar recursos imediatamente para participar. Qualquer atraso pode representar perda de oportunidade e, consequentemente, perda de volume para a plataforma.
As empresas enfrentam dois equilíbrios delicados:
- Facilidade para o usuário x segurança operacional: é necessário oferecer depósitos e saques rápidos sem comprometer liquidez, reconciliação financeira e controle de riscos.
- Inovação x regras locais: novos modelos de negócio precisam respeitar exigências de KYC (conheça seu cliente), AML (prevenção à lavagem de dinheiro) e demais obrigações regulatórias.
Segundo Boesing, o cenário atual lembra o início das apostas online regulamentadas na América Latina, quando o comportamento do usuário evoluiu rapidamente enquanto a infraestrutura financeira ainda se adaptava.
Nos mercados de previsão, tempo é variável estratégica. Se o usuário não consegue transferir recursos no momento exato em que identifica uma oportunidade, a plataforma perde relevância como ambiente de negociação em tempo real.
Muitas empresas ainda operam com sistemas de pagamento fragmentados, o que dificulta a oferta de métodos locais e liquidação instantânea. O resultado costuma ser o abandono de transações, especialmente nos momentos de maior volatilidade e interesse.
Com a concorrência crescente, esse tipo de problema deixa de ser apenas técnico e passa a impactar diretamente receita, retenção e posicionamento de mercado. Para especialistas, a liderança no setor não será definida apenas pela diversidade de contratos oferecidos, mas pela capacidade de tornar a jornada financeira simples, rápida e confiável.
A OKTO PAYMENTS se apresenta como provedora de serviços financeiros voltados a setores digitais complexos. A empresa atua com soluções que vão além do processamento de pagamentos, incluindo serviços bancários, tesouraria e liquidação.
Com tecnologia baseada em inteligência artificial, a companhia afirma estruturar sistemas capazes de oferecer escalabilidade, conformidade e desempenho em tempo real. A proposta é transformar pagamentos — tradicionalmente vistos como etapa operacional — em elemento estratégico de diferenciação.
O avanço dos mercados de previsão no Brasil dependerá de clareza regulatória e infraestrutura financeira adaptada à realidade local. No entanto, o interesse de players globais e as projeções de crescimento indicam que a modalidade pode representar o próximo ciclo de expansão do setor digital de apostas e negociação de eventos.
Se as apostas esportivas consolidaram o país como potência emergente no segmento, os mercados de previsão podem ampliar esse protagonismo — desde que pagamentos, compliance e experiência do usuário evoluam no mesmo ritmo da inovação.



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