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Pesquisa do IPEDF revela que 35% dos moradores do DF apostaram nos últimos 12 meses

Estudo inédito aponta predominância de homens jovens, renda entre 1 e 3 salários mínimos e uso crescente de plataformas digitais

O Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) iniciou um estudo para mapear o perfil dos apostadores na capital federal. A pesquisa “O Perfil dos Apostadores no DF” começou em 29 de janeiro, em parceria com a Secretaria de Estado da Família do Distrito Federal, com o objetivo de identificar quem são os cidadãos que participam de jogos de azar, suas motivações e os impactos sociais, financeiros e emocionais associados à prática.

Pesquisadores uniformizados aplicaram questionários em pontos de grande circulação em todas as regiões administrativas do DF, abordando maiores de 18 anos — tanto apostadores quanto não apostadores — com garantia de anonimato. A metodologia foi estruturada para subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

A distribuição da população que apostou nos últimos 12 meses no Distrito Federal ficou assim:

  • Loterias: 26,6%
  • Apostas esportivas (bets): 8,4%
  • Bingo: 8%
  • Cassinos online (incluindo o “jogo do tigrinho”) e similares: 6,5%
  • Jogo do Bicho: 4,8%

Os dados indicam que as loterias ainda lideram em alcance, especialmente entre públicos mais velhos, enquanto modalidades digitais apresentam maior frequência de uso e maior comprometimento financeiro, sobretudo entre jovens.

Segundo o levantamento, 35% da população do DF realizou algum tipo de aposta nos últimos 12 meses — percentual superior ao registrado no Centro-Oeste pelo Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool e Outras Drogas (Lenad) de 2024, que apontou 18,7%.

A pesquisa entrevistou 1.827 pessoas entre 8 e 25 de setembro de 2025. Os resultados indicam que o perfil predominante dos apostadores no DF é composto por:

  • Homens jovens
  • Renda entre um e três salários mínimos
  • Empregados do setor privado (38,3%)
  • Trabalhadores autônomos (22,5%)

Também aparecem aposentados (11,6%), servidores públicos (8,4%), empresários (4,8%) e desempregados (3,9%).

Quanto à escolaridade, a maior concentração está entre quem possui ensino médio completo (44,4%) e superior incompleto (10,2%). Já entre os não apostadores, há maior presença de pessoas com ensino superior completo (19,9%).

Entre os apostadores, 5,8% declararam receber algum tipo de benefício social. O percentual é inferior ao dos não apostadores (8,9%), mas chama atenção quando analisado em conjunto com a faixa de renda.

Entre os beneficiários que apostam:

  • 64,9% recebem Bolsa Família
  • 21,6% utilizam o Cartão Prato Cheio
  • 8,1% recebem aposentadoria ou auxílio-doença
  • 8,1% são beneficiários do BPC/LOAS
  • 5,4% recebem auxílio gás
  • 2,7% recebem DF Social
  • 2,7% recebem pensão por morte

De acordo com Marcela Machado, diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, o cruzamento de dados revela que parte da renda de grupos economicamente vulneráveis está sendo direcionada para apostas.

A motivação principal declarada pelos apostadores foi o ganho financeiro (85,5%), seguida por diversão (11,1%) e socialização (7,3%). O dado reforça a percepção de que muitos enxergam as apostas como alternativa de geração de renda.

O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, destacou que o estudo permitirá ao governo do DF desenvolver políticas preventivas baseadas em dados territorializados.

Já o secretário da Família do DF, Rodrigo Delmasso, afirmou que os jogos de azar, especialmente no ambiente digital, vêm gerando impactos como endividamento, conflitos familiares e adoecimento emocional.

A pesquisa também investiga percepções sobre regulamentação de cassinos virtuais e apostas esportivas. As opiniões estão divididas entre favoráveis e contrárias, mas parte dos entrevistados aponta que uma regulamentação responsável pode contribuir para prevenção, transparência e proteção de grupos vulneráveis.

O levantamento evidencia uma transição relevante: enquanto loterias mantêm caráter mais ocasional e tradicional, plataformas digitais — como apostas esportivas e cassinos online — apresentam uso mais frequente, maior volume de gastos e maior comprometimento financeiro.

Esse movimento acompanha o crescimento nacional do setor de apostas digitais e reforça a necessidade de políticas voltadas à educação financeira, saúde mental e monitoramento de comportamentos de risco.

O estudo “Apostadores no Distrito Federal – Diagnóstico comportamental e sociodemográfico” foi publicado em relatório completo (61 páginas) e sumário executivo (17 páginas) pelo IPEDF em 2026.

A pesquisa considera apostas legais e ilegais, presenciais e online, buscando compreender a diversidade de comportamentos e perfis em um ambiente marcado por rápida expansão digital e múltiplos estímulos ao consumo.

Com dados inéditos e detalhados, o levantamento fornece base técnica para decisões governamentais e amplia o debate sobre os impactos sociais e econômicos das apostas no Distrito Federal.

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