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Pesquisa do Procon-SP aponta que 4 em cada 10 apostadores se endividaram com apostas online

Estudo revela aumento no valor gasto mensalmente e alerta para influência da publicidade e uso de plataformas ilegais

Um levantamento realizado pelo Procon-SP revelou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após começarem a utilizar sites de jogos e apostas online, conhecidos como bets. O dado corresponde a 39,7% dos apostadores e faz parte da segunda edição da pesquisa comportamental conduzida pelo órgão.

O estudo foi respondido por 2.724 consumidores entre 4 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026. Entre todos os participantes, apenas 13,03% afirmaram apostar online, o equivalente a 355 pessoas.

Entre os apostadores entrevistados, as preferências foram divididas entre três modalidades: 35,49% disseram jogar exclusivamente em plataformas de jogos online, 28,73% preferem apostas esportivas e 35,77% utilizam ambos os formatos.

Assim como na edição anterior da pesquisa, realizada em 2025, o perfil predominante dos apostadores permanece semelhante. A maioria é composta por homens (61,8%), com até 44 anos de idade (82,5%) e renda de até dois salários mínimos (38,6%). Um dos principais pontos de mudança em relação ao levantamento anterior foi o aumento no valor gasto mensalmente com apostas. Segundo os dados, 30,1% dos entrevistados afirmaram gastar, em média, mais de R$ 1.000 por mês.

O estudo também destacou mudanças relevantes no perfil dos apostadores que declararam ter se endividado em razão das apostas. Entre esse grupo, a maioria é formada por mulheres (53,9%), com até 30 anos (44,7%) e renda de até dois salários mínimos (46,8%). Segundo a diretora adjunta de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, Elaine da Cruz, esse é um dos pontos mais expressivos em comparação com a pesquisa de 2025, reforçando a necessidade de monitoramento constante do mercado e da relação de consumo envolvendo apostas online.

O relatório também analisou outros aspectos relacionados ao comportamento dos consumidores, como o recebimento de ofertas por redes sociais ou celular, o hábito de apostar, o valor mensal gasto, o comprometimento da renda, a influência da publicidade, os problemas relatados com empresas do setor e o endividamento associado às apostas online.

Outro dado relevante apontado pela pesquisa é que a maioria dos apostadores ainda utiliza plataformas ilegais. Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estão a recusa da empresa em pagar o prêmio, apontada por 42,99% dos entrevistados; o envio constante de mensagens incentivando apostas, citado por 23,53%; e regras consideradas confusas sobre o funcionamento das apostas e o pagamento dos prêmios, mencionadas por 15,84%.

Entre os principais sinais de alerta identificados no comportamento dos apostadores, o levantamento aponta que 56,6% afirmam se sentir influenciados por propagandas com celebridades ao realizar apostas. Além disso, 62,2% relatam já ter enfrentado algum problema com empresas do setor, sendo a recusa no pagamento de prêmios o caso mais frequente. Outro dado preocupante indica que 52,4% dos entrevistados já comprometeram parte significativa da renda, utilizando dinheiro aplicado ou até empréstimos para apostar.

De caráter educativo, o estudo servirá de base para orientar consumidores e apoiar futuras ações do órgão, incluindo iniciativas de fiscalização, prevenção ao endividamento e programas de educação para o consumo responsável. O tema também demonstrou maior repercussão entre os consumidores, já que o número de participantes na pesquisa cresceu cerca de 78% em relação à edição anterior.

Apesar da criação de um arcabouço regulatório para o setor em 2025, o comparativo entre as duas pesquisas indica a persistência e até o aumento de alguns indicadores de risco. Um exemplo é a influência da publicidade com celebridades nas decisões de apostar, que passou de 52% em 2025 para 57% em 2026.

A pesquisa também avaliou o conhecimento do público sobre os canais de atendimento do Procon-SP. Entre os entrevistados que afirmaram saber que o órgão atua em demandas relacionadas a apostas, a grande maioria indicou o atendimento online como principal forma de contato.

A legislação brasileira garante aos apostadores todos os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. Isso inclui o direito à informação clara sobre as regras do jogo, condições para acerto de prognósticos, formas de resgate dos valores, critérios para pagamento de prêmios e alertas sobre riscos de perda financeira e problemas relacionados à ludopatia.

O Procon-SP reforça que é fundamental que o consumidor conheça as regras e os riscos envolvidos em cada modalidade de jogos e apostas autorizadas a operar no país. Para auxiliar nesse processo, o órgão desenvolveu uma cartilha educativa em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disponível nos canais institucionais das duas entidades.

Além das ações educativas, o Procon-SP também promove palestras gratuitas sobre jogos e apostas desde o segundo semestre de 2025. As apresentações, realizadas de forma presencial e virtual, abordam os principais problemas relatados por consumidores e os riscos associados ao uso dessas plataformas.

A próxima palestra está programada para o dia 26, às 14h, em formato online. O objetivo é preparar os participantes para identificar armadilhas, compreender os riscos envolvidos e refletir de forma crítica sobre os impactos financeiros e emocionais das apostas, prática que não deve ser encarada como forma de investimento.

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