Presidente da Loterj defende força-tarefa nacional contra apostas ilegais e anuncia avanço das videoloterias no Rio
Hazenclever Lopes Cançado afirma que modelo regulatório fluminense é moderno, amplia arrecadação e fortalece ações sociais
O advogado Hazenclever Lopes Cançado, presidente da Loterj, defendeu a criação de uma força-tarefa envolvendo estados e a União para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro ligados a casas de apostas ilegais no Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao EsferaCast, videocast da Esfera Brasil, que vai ao ar nesta quarta-feira (7), em conversa com a jornalista Yasm Bachor.
Segundo Cançado, o enfrentamento às apostas irregulares precisa seguir o modelo adotado recentemente em setores como o de combustíveis e o financeiro. Ele defendeu a atuação conjunta de órgãos federais como Receita Federal, Polícia Federal, Coaf e Banco Central, em cooperação com os estados, para desarticular redes criminosas que utilizam casas de apostas clandestinas como porta de entrada para atividades ilícitas.
Para o presidente da Loterj, a existência de dezenas de milhares de plataformas irregulares em operação no país alimenta crimes como tráfico de drogas, atuação de milícias, narcotráfico e lavagem de dinheiro. Ele voltou a defender, nesse contexto, a legalização de cassinos, bingos e outros jogos de azar no Congresso Nacional, afirmando que é necessário trazer à legalidade atividades que continuam funcionando de forma clandestina.
Durante a entrevista, Cançado destacou o papel da Loterj na estruturação de um modelo regulatório para apostas eletrônicas no Rio de Janeiro, em um período em que ainda havia lacunas na legislação federal. A instituição criou mecanismos para regularizar operadores, garantir o recolhimento de impostos e implementar controles voltados ao combate de crimes fiscais e financeiros.
De acordo com ele, o modelo fluminense foi construído a partir do diálogo com mercados internacionais considerados maduros, com foco em segurança jurídica para apostadores, operadores e para o próprio Estado. A estratégia incluiu a abertura de um processo de regularização para empresas que atuavam na informalidade, seguido de fiscalização rigorosa para assegurar o cumprimento das normas.
Cançado ressaltou que a formalização do setor ampliou a arrecadação estadual e gerou impactos positivos em áreas como turismo, bares, restaurantes e fornecedores de tecnologia ligados à indústria de apostas. Em três anos de gestão, segundo ele, a Loterj multiplicou por 46 os recursos destinados a ações sociais, com investimentos em atendimento a crianças, creches, combate à violência contra mulheres e esportes de base, especialmente o futebol no estado.
Entre as inovações implementadas, o presidente citou o sistema “Pix no Lote”, adotado para apostas e pagamento de prêmios, que utiliza reconhecimento facial e prova de vida como camadas adicionais de segurança. Para Cançado, além do controle e da prevenção a fraudes, o diferencial do modelo está na destinação transparente dos recursos arrecadados, que permanecem no Rio de Janeiro e retornam à sociedade por meio de políticas públicas.
O próximo passo anunciado pela Loterj é a implementação das videoloterias no estado. A expectativa é de que a iniciativa gere cerca de 65 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dois anos. Cançado também afirmou acompanhar com expectativa a tramitação, no Congresso Nacional, de projetos que tratam da legalização de cassinos, bingos e outros jogos de azar no Brasil, medida que, segundo ele, pode ampliar ainda mais os benefícios econômicos e sociais do setor regulado.



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