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SUS lança teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a apostas

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento especializado em saúde mental para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos de apostas. O serviço foi anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta terça-feira, durante uma simulação de atendimento remoto realizada na unidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A iniciativa prevê inicialmente o atendimento de cerca de 600 pacientes por mês e será realizada por meio de uma parceria com o hospital. O acesso ao serviço será feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que funcionará como porta de entrada para quem busca apoio psicológico relacionado ao comportamento compulsivo com apostas.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo da medida é ampliar o acesso ao cuidado e reduzir as barreiras que impedem muitas pessoas de procurar ajuda presencial. O ministro Alexandre Padilha afirmou que fatores como vergonha, estigma social e dificuldade em reconhecer o problema fazem com que muitos indivíduos evitem procurar atendimento em unidades de saúde.

De acordo com o ministro, o modelo de teleatendimento foi pensado justamente para criar um canal mais acessível e reservado para quem enfrenta esse tipo de situação. A proposta também busca facilitar o apoio de familiares e amigos que desejam ajudar pessoas próximas que estejam lidando com dificuldades relacionadas ao jogo.

Padilha destacou que o atendimento remoto permite que os pacientes entrem em contato diretamente com o sistema de saúde sem a necessidade de se deslocar até uma unidade presencial, o que pode reduzir o receio inicial de buscar ajuda profissional.

O projeto conta com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, realizado por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O serviço é destinado a pessoas com 18 anos ou mais e também poderá ser utilizado por familiares ou integrantes da rede de apoio.

O cadastro pode ser feito a qualquer hora do dia, em ambiente digital seguro. O acesso ocorre diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona os usuários para o serviço específico voltado a problemas relacionados a jogos de apostas.

Todas as informações fornecidas pelos usuários são protegidas de acordo com as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo confidencialidade e segurança durante o processo de atendimento.

A criação do teleatendimento faz parte de um conjunto mais amplo de ações do governo federal voltadas ao enfrentamento do crescimento de comportamentos problemáticos relacionados a apostas, especialmente no ambiente digital.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a procura espontânea por atendimento presencial para esse tipo de problema ainda é considerada baixa. Muitas pessoas que enfrentam dificuldades com apostas evitam procurar ajuda devido ao medo de julgamento ou à dificuldade em reconhecer que estão lidando com um comportamento compulsivo.

Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a problemas com jogos e apostas em todo o país. A expectativa é que o teleatendimento amplie significativamente o acesso ao cuidado, oferecendo uma alternativa mais discreta e acessível para quem precisa de apoio.

A iniciativa também está integrada a outras medidas adotadas pelo governo federal para lidar com o avanço do mercado de apostas no país. Entre essas ações está a criação da Plataforma de Autoexclusão Centralizada, desenvolvida pelo Ministério da Fazenda.

A ferramenta permite que usuários solicitem o bloqueio do acesso a todos os sites de apostas autorizados no Brasil, funcionando como uma forma de proteção para pessoas que desejam interromper ou controlar a prática de apostar.

Outra frente da estratégia governamental é o Observatório Saúde Brasil de Apostas, um canal permanente de troca de informações entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda. O objetivo dessa estrutura é permitir o compartilhamento de dados e o desenvolvimento de ações coordenadas voltadas à prevenção e ao tratamento de problemas relacionados ao jogo.

Além dessas iniciativas, o Ministério da Saúde também publicou diretrizes para qualificação do atendimento no SUS voltado a esse tipo de problema. Entre os documentos elaborados está a chamada Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que orienta profissionais de saúde sobre como conduzir o atendimento dentro da rede pública.

Outro material elaborado é o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que reúne recomendações sobre identificação de sinais de risco, encaminhamento para tratamento e estratégias de apoio aos pacientes.

O acesso ao teleatendimento começa pelo aplicativo Meu SUS Digital. Para utilizar o serviço, o usuário precisa baixar o aplicativo gratuitamente nas lojas digitais ou acessar a versão web da plataforma.

Após instalar o aplicativo, o usuário deve realizar o login utilizando a conta gov.br. Na página inicial, é necessário acessar a seção chamada “Miniapps” e selecionar a opção identificada como “Problemas com jogos de apostas”.

Dentro do aplicativo, o usuário terá acesso a um autoteste desenvolvido com base em evidências científicas e validado no Brasil por especialistas da área de saúde mental. O questionário apresenta perguntas que ajudam a identificar sinais de risco associados ao comportamento de apostar.

A partir das respostas fornecidas, o sistema avalia o nível de risco apresentado pelo usuário. Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento especializado ocorre de forma automática.

Nos casos em que o risco é considerado menor, o aplicativo orienta o usuário a buscar apoio na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne diferentes serviços de atendimento no SUS.

Essa rede inclui estruturas como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS), responsáveis pelo atendimento inicial e acompanhamento de pacientes em diversas situações relacionadas à saúde mental.

O aplicativo Meu SUS Digital também reúne conteúdos informativos sobre os riscos associados às apostas, sinais de alerta e orientações de prevenção. A plataforma busca oferecer informações que ajudem os usuários a compreender os impactos que o comportamento compulsivo pode causar na saúde mental.

Além do atendimento digital, o Ministério da Saúde também disponibiliza suporte por meio da Ouvidoria do SUS. O serviço está preparado para orientar cidadãos que buscam informações ou ajuda relacionada ao tema.

O atendimento da Ouvidoria pode ser realizado pelo telefone 136, por teleatendimento, por formulário eletrônico, além de canais digitais como WhatsApp e chatbot disponíveis no site do Ministério da Saúde.

No modelo de teleatendimento oferecido pelo SUS, as consultas são realizadas por meio de videochamada e possuem duração média de 45 minutos. O atendimento faz parte de ciclos estruturados de cuidado que podem incluir até 13 consultas para cada paciente.

As sessões podem ocorrer individualmente ou em grupo, envolvendo familiares ou pessoas da rede de apoio do paciente. O serviço é gratuito e confidencial.

A equipe responsável pelo atendimento é composta por profissionais de diferentes áreas da saúde. Entre eles estão psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médicos psiquiatras quando necessário.

O modelo de cuidado também prevê articulação com serviços de assistência social e com equipes de medicina de família, garantindo integração com a rede local de saúde.

Após o cadastro inicial pelo aplicativo, o usuário recebe orientações para a consulta por meio do WhatsApp. O sistema inclui acompanhamento contínuo por telemonitoramento, permitindo que os profissionais acompanhem a evolução do paciente ao longo do tratamento.

Quando necessário, os pacientes podem ser encaminhados para atendimento presencial dentro da rede do SUS, garantindo continuidade no cuidado.

A criação do teleatendimento também acompanha a expansão recente dos investimentos federais na área de saúde mental. De acordo com dados do Ministério da Saúde, os recursos destinados a essa área cresceram cerca de 70% entre 2022 e 2025.

Nesse período, o investimento passou de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões. O SUS conta atualmente com uma das maiores redes públicas de atenção em saúde mental do mundo.

Ao todo, o sistema possui 6.272 pontos de atendimento voltados à saúde mental, incluindo aproximadamente 3 mil Centros de Atenção Psicossocial distribuídos em diferentes regiões do país.

Entre 2023 e 2025, foram habilitadas 653 novas unidades da Rede de Atenção Psicossocial, ampliando em cerca de 10% a cobertura nacional desse tipo de serviço.

Além disso, o SUS também passou a contar com 6,2 mil novas equipes multiprofissionais atuando em Unidades Básicas de Saúde, ampliando a presença de profissionais especializados em saúde mental na atenção primária.

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