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SUS lança teleatendimento em saúde mental para tratar problemas com jogos de apostas

Novo serviço gratuito começa com capacidade para atender até 600 pacientes por mês e será acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ofertar teleatendimento especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. A iniciativa começa com expectativa de atender cerca de 600 pacientes por mês e foi anunciada nesta terça-feira pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma simulação de atendimento realizada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O serviço integra um conjunto de ações do Governo Federal para enfrentar o crescimento dos comportamentos problemáticos ligados às apostas, especialmente no ambiente online. A principal porta de entrada será o aplicativo Meu SUS Digital, que permitirá o acesso remoto ao atendimento sem a necessidade de deslocamento até uma unidade de saúde.

Segundo o ministro, a criação do teleatendimento leva em conta a dificuldade que muitos pacientes enfrentam para procurar ajuda presencialmente. Vergonha, medo de julgamento e resistência em reconhecer o problema ainda são fatores que reduzem a busca espontânea por tratamento. A proposta é facilitar o acesso ao cuidado e permitir que familiares e amigos também possam participar do processo de apoio.

Com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), o serviço é destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de integrantes da rede de apoio. O cadastro pode ser feito a qualquer momento, em ambiente seguro, seguindo as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. A baixa procura por serviços presenciais motivou a estruturação do teleatendimento como alternativa para ampliar o alcance do cuidado de forma reservada e acessível.

A medida faz parte de uma estratégia nacional mais ampla, que inclui a criação da Plataforma de Autoexclusão Centralizada, voltada ao bloqueio do acesso a sites de apostas autorizados, além do Observatório Saúde Brasil de Apostas. Esse canal permanente de troca de dados entre os ministérios da Saúde e da Fazenda busca fortalecer ações integradas de prevenção e tratamento.

O plano também prevê a publicação de diretrizes para qualificar o atendimento na rede pública, incluindo a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas e um guia específico para orientar profissionais e usuários sobre os caminhos de assistência disponíveis.

O acesso ao teleatendimento começa dentro do aplicativo Meu SUS Digital. Após fazer login com a conta gov.br, o usuário deve entrar na seção de miniaplicativos e selecionar a opção voltada a problemas com jogos de apostas. A ferramenta oferece inicialmente um autoteste validado por especialistas no Brasil, com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco.

Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o atendimento online ocorre automaticamente. Nos casos considerados de menor risco, o aplicativo orienta o usuário a buscar suporte na Rede de Atenção Psicossocial, que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O atendimento será realizado por vídeo, com consultas que duram em média 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados que podem chegar a até 13 sessões por paciente. As consultas podem ocorrer de forma individual ou em grupo, com participação da rede de apoio quando necessário.

A equipe responsável é multiprofissional, composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de médicos psiquiatras conforme a demanda clínica. Também haverá articulação com assistência social e equipes de medicina de família para integração com os serviços locais do SUS. Após o cadastro, as orientações para a consulta são enviadas pelo WhatsApp, e o modelo inclui telemonitoramento contínuo.

Sempre que houver necessidade, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento presencial, garantindo continuidade do cuidado dentro da rede pública.

A ampliação das ações ocorre em um cenário de fortalecimento do investimento em saúde mental. Entre 2022 e 2025, os recursos destinados à área cresceram 70%, passando de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões. Atualmente, o SUS conta com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil unidades de CAPS.

De 2023 a 2025, foram habilitadas 653 novas unidades da Rede de Atenção Psicossocial, o que representa aumento de 10% na cobertura nacional. Além disso, 6,2 mil novas equipes multiprofissionais foram incorporadas às Unidades Básicas de Saúde, ampliando a presença de profissionais especializados e a capacidade de atendimento em todo o país.

A iniciativa reforça o esforço do governo em adaptar o sistema público às novas demandas de saúde mental associadas ao crescimento das apostas digitais, buscando oferecer tratamento mais acessível, integrado e alinhado às transformações do comportamento social.

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