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Bets alertam governo sobre avanço do mercado ilegal após bloqueios do Desenrola 2.0

As principais empresas de apostas regulamentadas no Brasil avaliam que as novas restrições impostas pelo governo federal podem fortalecer plataformas ilegais justamente em ano de Copa do Mundo, período historicamente mais lucrativo para o setor.

Representantes das operadoras levaram a preocupação a Brasília nos últimos dias, argumentando que o bloqueio de beneficiários do Desenrola 2.0 atinge apenas empresas autorizadas, sem impedir o acesso dos usuários a sites clandestinos.

Segundo relato obtido pela coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, parte do setor já acreditava que os alertas dificilmente alterariam a posição do governo federal.

As empresas afirmam que pessoas impedidas de utilizar plataformas regulamentadas podem migrar para operadores ilegais, que funcionam sem fiscalização, sem mecanismos de jogo responsável e fora do sistema tributário brasileiro.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável apontam que o mercado ilegal já representa 51% das operações de apostas no país.

Segundo o instituto, plataformas clandestinas movimentam cerca de R$ 40 bilhões anualmente no Brasil.

O país ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores mercados globais de apostas esportivas. Estimativas da consultoria Regulus Partners indicam que o setor movimentou aproximadamente US$ 4,1 bilhões no último ano.

O debate ganha ainda mais relevância por ocorrer em ano de Copa do Mundo, tradicionalmente considerado o período de maior faturamento para empresas de apostas esportivas.

As operadoras também intensificaram uma ofensiva pública para contestar a associação direta entre bets e o aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Segundo dados citados pelo setor, o comprometimento financeiro das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro, enquanto o superendividamento atinge mais de 80% dos lares.

O IBJR argumenta que o cartão de crédito continua sendo a principal fonte de superendividamento da população.

De acordo com o instituto, os gastos com apostas representam entre 0,2% e 0,5% do consumo total das famílias brasileiras.

As empresas defendem que medidas focadas exclusivamente nas plataformas regulamentadas acabam ampliando a vantagem competitiva do mercado clandestino, já que operadores ilegais não seguem restrições de acesso, bloqueios cadastrais ou regras de jogo responsável.

Até o momento, o governo federal não divulgou detalhes sobre estratégias específicas para impedir que usuários bloqueados nas plataformas autorizadas migrem para sites ilegais.

Também não foram apresentados dados oficiais sobre o possível impacto das novas restrições no crescimento do mercado clandestino de apostas no Brasil.

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