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Banco Central começa a monitorar bets ilegais e mira movimentações financeiras de jogadores e intermediários

Nova ofensiva contra o mercado clandestino de apostas inclui rastreamento de transações, criptoativos e empresas suspeitas de operar sem autorização no Brasil

O Banco Central iniciou uma nova ofensiva contra o mercado ilegal de apostas esportivas no Brasil ao colocar sob monitoramento pessoas e empresas suspeitas de operar ou intermediar pagamentos para plataformas sem autorização para atuar no país.

A medida amplia a pressão sobre um setor clandestino que movimenta bilhões de reais por ano e desafia os esforços do governo para consolidar o mercado regulado.

Pelas novas regras, instituições financeiras reguladas pelo Banco Central terão de compartilhar informações sobre transações ligadas a plataformas ilegais, incluindo depósitos feitos por jogadores e movimentações realizadas por empresas que atuem como intermediárias financeiras dessas operações.

O objetivo é mapear toda a cadeia financeira que sustenta o funcionamento das bets clandestinas.

Para isso, o Banco Central utilizará o Fraud Marker, sistema já conhecido por marcar operações suspeitas relacionadas a golpes via Pix.

A tecnologia permitirá identificar movimentações consideradas de risco, mantendo as informações sob sigilo e dentro das regras de proteção de dados.

A ofensiva não ficará restrita apenas às transferências bancárias tradicionais.

O BC também passará a monitorar operações envolvendo empréstimos, prestação de serviços financeiros e movimentações com criptoativos associadas a operadores irregulares.

A medida surge em meio ao aumento da pressão institucional sobre o combate ao mercado ilegal.

Auditoria recente do Tribunal de Contas da União apontou falhas estruturais na fiscalização das apostas clandestinas e alertou para a necessidade de ações mais robustas contra operações potencialmente ligadas à lavagem de dinheiro.

Segundo estimativas analisadas pelo tribunal, o mercado ilegal pode movimentar entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano, representando uma fatia significativa do setor de apostas no país.

As instituições financeiras terão cronograma escalonado para adaptação às novas exigências.

O monitoramento envolvendo operações com criptoativos deverá começar até o fim de outubro, enquanto o rastreamento completo das transações financeiras suspeitas precisará estar integralmente implementado até dezembro.

Apesar da regulamentação das apostas esportivas já estar consolidada no Brasil, o avanço das operações clandestinas continua sendo um dos maiores desafios do setor.

Mesmo com milhares de sites irregulares já retirados do ar, autoridades reconhecem que derrubar domínios isoladamente não resolve o problema se a estrutura financeira que alimenta essas operações continuar funcionando.

O foco agora passa a ser atingir justamente esse núcleo financeiro.

A expectativa do mercado regulado é que medidas mais duras contra intermediários e operadores clandestinos ajudem a reduzir a concorrência irregular, ampliar a arrecadação tributária e enfraquecer redes potencialmente ligadas a crimes financeiros.

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