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Apostas esportivas impulsionam arrecadação e geram R$ 2,5 bilhões em 2026

Receita Federal registra forte crescimento no setor após regulamentação e ampliação da base tributária

A Receita Federal do Brasil arrecadou R$ 2,5 bilhões com casas de apostas esportivas apenas nos dois primeiros meses de 2026. O resultado representa um salto significativo em relação ao mesmo período de 2025, quando o governo havia recolhido R$ 756 milhões com a atividade.

Os dados divulgados na última terça-feira mostram que janeiro concentrou R$ 1,49 bilhão da arrecadação, enquanto fevereiro somou R$ 1,04 bilhão — uma queda de 30,2% de um mês para o outro. A redução é atribuída principalmente ao calendário, com impacto do Carnaval em fevereiro, enquanto janeiro foi impulsionado pelo início antecipado dos campeonatos estaduais.

Apesar da queda mensal, a comparação anual revela forte expansão. Em fevereiro, a arrecadação saltou de R$ 258 milhões em 2025 para R$ 1,04 bilhão em 2026, um crescimento expressivo de 303,1%. Esse avanço também acompanha o aumento no número de operadores autorizados: o total de licenças passou de 70 (entre definitivas e provisórias) em 2025 para 87 licenças operacionais e 193 marcas registradas em 2026.

Regulamentação fortalece mercado e amplia arrecadação

O avanço na arrecadação está diretamente ligado à consolidação das regras para o mercado de apostas de quota fixa no país. A regulamentação definiu critérios de operação, estabeleceu a cobrança de tributos e ampliou a fiscalização das empresas do setor.

Com a formalização, a Receita Federal passou a alcançar receitas que antes estavam fora do radar, ampliando significativamente a base tributável. A taxação de 12% sobre o Gross Gaming Revenue (GGR), implementada em 2025, foi um dos principais motores desse crescimento. Embora a lei tenha sido sancionada em 2023, o mercado passou a operar plenamente sob as novas regras a partir de janeiro de 2025.

Carga tributária deve subir até 2028

O cenário aponta para aumento progressivo da tributação. O Congresso aprovou o Projeto de Lei Complementar 128 de 2025, que eleva a taxação das empresas do setor de 12% para 13% em 2026. A alíquota subirá para 14% em 2027 e chegará a 15% em 2028.

Segundo o secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, as medidas envolvendo fintechs, apostas e juros sobre capital próprio devem gerar R$ 4,4 bilhões adicionais ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apenas o aumento na tributação das apostas deve acrescentar cerca de R$ 260 milhões à arrecadação.

No cenário geral, a arrecadação federal atingiu R$ 222,1 bilhões em fevereiro — o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. O resultado representa crescimento real de 5,68% em relação ao mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação, reforçando o impacto positivo das novas regras sobre as contas públicas.

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