Mulheres avançam no mercado de apostas online e transformam perfil do setor
Crescimento da participação feminina traz comportamento mais analítico e reforça debate sobre jogo responsável
No mês em que se destaca o protagonismo feminino, uma mudança relevante também ganha espaço no universo das apostas online. Cada vez mais presentes nas plataformas digitais, as mulheres ampliam sua participação no setor e passam a influenciar diretamente o perfil desse mercado, adotando uma postura mais analítica e cautelosa ao apostar.
Uma pesquisa realizada pela Rede Globo em parceria com a Offerwise aponta que as mulheres já representam 34% do público nas apostas online. Outro levantamento, conduzido pelo Instituto Locomotiva, revela que 62% dos novos apostadores no Brasil são mulheres, evidenciando a expansão contínua desse público.
Estudos recentes da Associação de Mulheres da Indústria de Gaming (AMIG) reforçam essa tendência e indicam uma reconfiguração em um setor historicamente dominado por homens.
Dados da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC) mostram que o crescimento também vem acompanhado de diferenças no comportamento dentro das plataformas. Segundo o psicólogo Cristiano Costa, diretor de conhecimento da entidade, mulheres tendem a ser mais cautelosas nos valores apostados, enquanto homens apresentam maior impulsividade e buscam retornos financeiros imediatos.
Por outro lado, o especialista alerta que o público feminino pode permanecer mais tempo nas plataformas. Esse comportamento, em alguns casos, está associado à busca por alívio de pressões do cotidiano, o que pode indicar riscos ligados à ansiedade ou depressão.
Mesmo com uma postura mais moderada nos gastos, especialistas destacam a necessidade de reforçar estratégias de prevenção ao vício em jogos. O Transtorno do Jogo, também conhecido como ludopatia, é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um problema de saúde mental, podendo causar impactos financeiros, psicológicos e sociais.
Diante desse cenário, a recomendação é adotar práticas de jogo responsável, como definir limites de tempo e orçamento, evitar apostas impulsivas e buscar apoio profissional ou de pessoas próximas caso o hábito comece a gerar prejuízos.
Nos últimos anos, o debate sobre jogo responsável tem ganhado força na indústria global, com iniciativas voltadas à educação dos usuários, uso de ferramentas de autocontrole e parcerias com instituições especializadas.
Mais do que crescimento numérico, o avanço feminino no setor reforça a necessidade de um ambiente digital mais seguro, transparente e equilibrado — acompanhando não apenas a evolução do mercado, mas também as novas demandas de um público cada vez mais diverso.



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