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Polícia investiga apostas suspeitas em cartões amarelos no Carioca

Volume atípico de apostas em jogo entre Portuguesa e Nova Iguaçu levanta suspeitas de manipulação e gera lucro elevado

A Delegacia Especializada em Crimes Contra o Consumidor do Rio de Janeiro iniciou investigação sobre apostas suspeitas envolvendo cartões amarelos na partida entre Portuguesa e Nova Iguaçu, realizada no dia 7 de fevereiro, no estádio Luso-Brasileiro, pela sexta rodada do Campeonato Carioca.

O caso chamou atenção pelo volume e pelo retorno financeiro. Apostadores teriam investido cerca de R$ 40 mil e obtido lucro aproximado de R$ 300 mil ao acertar a ocorrência de cartões para dois jogadores específicos durante a partida.

No confronto, vencido pela Portuguesa por 1 a 0, dois atletas foram advertidos. O zagueiro Sidão, do Nova Iguaçu, recebeu cartão amarelo aos 35 minutos do primeiro tempo. Já o lateral Luis Gustavo, da Portuguesa, foi advertido aos três minutos da etapa final.

O alerta foi emitido após a identificação de um volume de apostas acima do padrão esperado. A Unidade de Integridade de Futebol da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) foram notificadas sobre a movimentação atípica.

As apostas foram realizadas de forma combinada, prevendo que ambos os jogadores receberiam cartão em qualquer momento da partida. Um dos principais indícios levantados é que todas as apostas partiram de contas vinculadas ao mesmo endereço de IP, o que reforça a suspeita de ação coordenada.

A investigação conta com apoio de inteligência financeira para rastrear movimentações e conexões entre os envolvidos. Os indícios analisados apontam possíveis crimes como estelionato, corrupção ativa e passiva, além da hipótese de atuação de organização criminosa.

O árbitro da partida, Bruno Arleu, registrado como árbitro FIFA, relatou na súmula que os cartões foram aplicados por infrações consideradas temerárias contra adversários, sem apontar irregularidades no campo de jogo.

Os jogadores citados foram ouvidos pela polícia. Sidão e Luis Gustavo prestaram depoimento e negaram qualquer envolvimento com apostadores. Até o momento, ambos não são tratados como investigados.

Sidão afirmou ser inocente e lamentou os impactos das acusações em sua carreira. Já Luis Gustavo optou por não comentar o caso publicamente.

A Portuguesa decidiu afastar o lateral após tomar conhecimento da investigação e declarou, em nota, compromisso com transparência, ética e respeito às instituições. O Nova Iguaçu, por sua vez, manteve Sidão no elenco até o fim do campeonato e informou que aguarda a decisão da Justiça. Após o término do Carioca, o zagueiro seguiu para uma equipe da Kings League.

O caso faz parte de um conjunto de 15 inquéritos conduzidos pela delegacia, que investiga possíveis fraudes no futebol carioca envolvendo competições de diferentes divisões entre 2023 e 2025.

A Ferj informou que vem intensificando medidas de combate à manipulação de resultados, incluindo monitoramento especializado e cooperação com órgãos como Polícia Civil, Ministério Público, Justiça Desportiva e a própria CBF. Segundo a entidade, o número de casos suspeitos vem caindo nos últimos anos.

Outras investigações também estão em andamento, incluindo episódios envolvendo arbitragem e dirigentes ligados a esquemas de apostas, alguns deles já com confissões e desdobramentos em comissões parlamentares.

O avanço das apurações deve determinar se houve manipulação deliberada no jogo ou se as apostas foram baseadas apenas em leitura de risco por parte dos apostadores. O caso reforça o alerta sobre a integridade das competições e o impacto crescente das apostas esportivas no futebol brasileiro.

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