Polícia Federal cria grupo especial para investigar manipulação esportiva e fraudes em apostas
Nova estrutura da corporação vai atuar no combate a esquemas criminosos ligados a resultados esportivos, lavagem de dinheiro e irregularidades no mercado de apostas no Brasil
A Polícia Federal oficializou a criação de um grupo especializado para investigar manipulação de resultados esportivos, fraudes em apostas e crimes relacionados ao setor. A medida foi publicada nesta terça-feira no Boletim de Serviço da corporação, por meio de portaria assinada pelo diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, delegado Dennis Cali.
Batizada de Base Apostas, a nova estrutura terá caráter institucional e funcionará inicialmente pelo período de um ano, com possibilidade de prorrogação após reavaliação interna. O foco principal será identificar, investigar e desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas que comprometam a integridade das competições esportivas e movimentem recursos de origem ilícita.
Entre os crimes que estarão no radar da unidade estão manipulação de partidas, exploração fraudulenta de apostas de quota fixa, lavagem de dinheiro, corrupção privada, estelionato e associação criminosa.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, vinculada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção. Segundo a portaria, as investigações contarão com apoio de unidades centrais da Polícia Federal com atuação em combate ao crime organizado e delitos financeiros.
A estrutura física da Base Apostas funcionará de forma reservada, com protocolos voltados à segurança e confidencialidade das operações. A localização deverá privilegiar a região próxima ao Distrito Federal. Enquanto a sede definitiva não estiver pronta, os trabalhos poderão ser conduzidos temporariamente em dependências da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro.
Entre as prioridades estratégicas da nova base está a identificação de líderes de esquemas criminosos, intermediários, financiadores, apostadores estratégicos e agentes esportivos considerados peças-chave nas investigações. A recuperação de ativos também aparece como prioridade, com possibilidade de apreensão e sequestro de bens vinculados aos crimes apurados.
Outro eixo importante será a cooperação internacional e a articulação com órgãos reguladores, entidades esportivas e operadores de apostas legalmente autorizados, ampliando o alcance das apurações em casos com ramificações fora do país.
A portaria também estabelece critérios para definir quais investigações terão prioridade, levando em consideração fatores como alcance interestadual ou internacional dos crimes, impacto social dos casos, grau de organização dos envolvidos e disponibilidade operacional da corporação.
A Base Apostas também será responsável por análises estratégicas e de inteligência policial, monitorando padrões suspeitos em eventos esportivos, movimentações financeiras incomuns e conexões entre investigados, operadores do setor e agentes esportivos.
A equipe mínima contará com um delegado da Polícia Federal, um escrivão e três policiais analistas, com profissionais priorizados por experiência em inteligência financeira, análise de dados, recuperação de ativos, monitoramento digital e conhecimento sobre o ecossistema das apostas esportivas.
A corporação ainda estabeleceu regras rígidas de conduta para os integrantes da operação. Policiais que descumprirem determinações operacionais ou padrões de segurança poderão ser afastados imediatamente, além de responderem a eventuais procedimentos disciplinares.
Ao final do período inicial de funcionamento, a Base Apostas deverá apresentar um relatório detalhado com os resultados alcançados, indicando se a continuidade das operações será necessária.
A criação da nova unidade reforça a crescente preocupação das autoridades com o avanço de fraudes envolvendo apostas esportivas, especialmente diante da expansão do mercado regulamentado no país.



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