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IBJR defende foco no combate às apostas ilegais e critica direcionamento de campanha contra setor regulado

Instituto afirma que plataformas clandestinas representam os maiores riscos aos consumidores e causam prejuízos bilionários aos cofres públicos.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se manifestou sobre a campanha “Block no Tigrinho”, que tem mobilizado artistas e parte da sociedade em defesa de medidas contra o chamado jogo predatório no Brasil. Para a entidade, as iniciativas de combate aos riscos associados às apostas deveriam concentrar esforços principalmente nas plataformas ilegais que operam fora das regras estabelecidas pelo Governo Federal.

Segundo o instituto, os maiores problemas enfrentados pelos consumidores estão justamente no mercado clandestino, formado por operadores que atuam sem autorização, fiscalização ou mecanismos de proteção aos usuários. Na avaliação do IBJR, direcionar críticas às empresas regulamentadas pode desviar a atenção do principal desafio do setor.

A entidade destaca que as operadoras autorizadas pelo Governo Federal seguem uma série de exigências regulatórias voltadas à segurança dos apostadores. Entre as medidas obrigatórias estão a verificação de identidade dos usuários, reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites para depósitos e tempo de jogo, além de mecanismos destinados à prevenção de comportamentos considerados problemáticos.

O instituto também ressalta que empresas licenciadas não podem aceitar pagamentos por cartão de crédito ou criptomoedas, seguindo determinações previstas na regulamentação vigente. De acordo com o IBJR, essas regras foram criadas justamente para fortalecer a proteção financeira e emocional dos consumidores.

Enquanto isso, o mercado ilegal continua sendo motivo de preocupação para autoridades e entidades do setor. Dados citados pelo instituto apontam que plataformas clandestinas movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano sem controle estatal. Além disso, as operações ilegais seriam responsáveis por perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões anuais em arrecadação pública.

Em contrapartida, o mercado regulamentado tem ampliado sua participação na economia formal. Conforme informações divulgadas pelo IBJR, as empresas autorizadas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais ao longo de 2025. Os recursos são direcionados para áreas como esporte, turismo, educação e segurança pública.

Outro ponto abordado pelo instituto envolve a publicidade das plataformas de apostas. A entidade argumenta que eventuais restrições devem ser direcionadas principalmente aos operadores ilegais, que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer supervisão para atrair novos usuários.

Segundo o IBJR, as empresas regulamentadas seguem normas específicas de comunicação e desempenham papel importante ao permitir que os consumidores identifiquem quais operadores possuem autorização para atuar no país. Dessa forma, a publicidade legal ajudaria a diferenciar empresas licenciadas das plataformas clandestinas.

O instituto avalia ainda que restrições excessivas à divulgação das casas de apostas autorizadas podem gerar um efeito contrário ao esperado. Na visão da entidade, limitar a exposição das empresas regulamentadas poderia aumentar a visibilidade de operadores ilegais, que não seguem regras, não recolhem tributos e não oferecem garantias aos apostadores.

Ao final da manifestação, o IBJR colocou-se à disposição dos organizadores da campanha para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer dúvidas relacionadas ao funcionamento do mercado regulado. A entidade reiterou seu compromisso com a construção de um ambiente de apostas considerado seguro, transparente e alinhado às práticas internacionais de proteção ao consumidor.

A discussão sobre o futuro das apostas no Brasil continua ganhando espaço no debate público. Enquanto diferentes setores defendem medidas para reduzir riscos e ampliar a proteção dos usuários, o desafio das autoridades segue sendo fortalecer o mercado regulado e ampliar o combate às operações clandestinas que atuam fora do alcance da legislação brasileira.

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