Estudo aponta que zebras são mais frequentes em Copas do Mundo do que em campeonatos nacionais
Levantamento do Instituto Mauá de Tecnologia analisou mais de 2.300 partidas e concluiu que favoritos sofrem derrotas inesperadas com muito mais frequência em Mundiais do que em ligas domésticas.
As tradicionais zebras da Copa do Mundo podem não ser apenas uma impressão dos torcedores. Um estudo realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia revelou que resultados inesperados acontecem com frequência significativamente maior nos Mundiais do que nos principais campeonatos nacionais de futebol.
A pesquisa, conduzida pelo professor Victor Martins Maimone, analisou 192 partidas das Copas do Mundo de 2014, 2018 e 2022, além de 2.129 jogos disputados em ligas nacionais, incluindo o Campeonato Brasileiro de 2025 e as temporadas 2024/25 dos campeonatos da Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Espanha.
Para medir o favoritismo, o levantamento utilizou as cotações pré-jogo do mercado de apostas no formato 1/X/2, que considera vitória do mandante, empate ou triunfo do visitante.
Copas registram mais surpresas
Os dados mostram que, quando uma equipe entrava em campo com odds iguais ou inferiores a 1.50, as zebras venceram 15,8% das partidas de Copa do Mundo. Nas ligas nacionais, esse percentual foi de apenas 7,2%.
Na prática, isso significa que os resultados inesperados ocorreram cerca de 2,2 vezes mais nos Mundiais do que nos campeonatos domésticos analisados.
A diferença também aparece em outras faixas de favoritismo. Quando as equipes tinham odds de até 1.40, os favoritos deixaram de vencer em 28,6% das partidas de Copa, contra 19,9% dos jogos de ligas nacionais.
Segundo o estudo, quanto maior o favoritismo apontado pelo mercado, mais evidente se torna a diferença entre o comportamento das Copas e dos campeonatos de pontos corridos.
Derrotas históricas reforçam o padrão
O levantamento destacou alguns dos resultados mais surpreendentes das últimas edições do Mundial.
Na Copa de 2022, a Argentina estreou com derrota por 2 a 1 para a Arábia Saudita mesmo sendo amplamente favorita. No mesmo torneio, a Alemanha perdeu para o Japão por 2 a 1 e a Espanha também foi derrotada pelos japoneses pelo mesmo placar.
O Brasil entrou em campo contra Camarões com forte favoritismo, mas acabou derrotado por 1 a 0 na fase de grupos.
Em edições anteriores, o padrão se repetiu. Em 2014, a Costa Rica venceu o Uruguai por 3 a 1. Já em 2018, a Alemanha foi surpreendida pelo México e, posteriormente, acabou derrotada pela Coreia do Sul, encerrando sua participação ainda na fase de grupos.
Por que as Copas são mais imprevisíveis?
O estudo aponta diferenças estruturais entre clubes e seleções nacionais como uma das principais explicações para o fenômeno.
Nos campeonatos nacionais, as equipes atuam em ambientes conhecidos, enfrentando adversários recorrentes, em competições disputadas ao longo de toda a temporada. Isso permite ajustes constantes e reduz a variabilidade dos resultados.
Já as Copas do Mundo reúnem seleções com estilos de jogo distintos, culturas táticas diferentes e tempos reduzidos de preparação. Enquanto clubes treinam diariamente durante meses, seleções normalmente têm poucos períodos para trabalhar juntas antes das competições.
Segundo a análise, esse contexto torna a vantagem dos favoritos menos estável do que costuma ocorrer nas ligas nacionais.
Mercado de apostas serve como termômetro
A pesquisa também destaca a importância dos mercados de apostas como ferramentas de previsão. As odds refletem a combinação de milhares de avaliações feitas por participantes que consideram fatores como qualidade técnica, lesões, momento das equipes, condição física e chaveamento do torneio.
Embora não sejam infalíveis, essas cotações são vistas pelos pesquisadores como um dos indicadores mais eficientes para medir expectativas antes das partidas.
França aparece como favorita para 2026
No levantamento, dados de mercado consultados em maio de 2026 apontavam a França como principal candidata ao título da próxima Copa do Mundo, seguida por Espanha, Inglaterra, Brasil e Argentina.
No entanto, os próprios números analisados pelo estudo servem como alerta para quem acredita que o favoritismo garante resultados. Mesmo as seleções mais bem cotadas estão longe de possuir probabilidades absolutas de conquista.
Formato ampliado pode aumentar as zebras
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções participantes. O torneio será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México e contará com um formato ampliado em relação às edições anteriores.
Para os pesquisadores, a presença de mais equipes e a nova estrutura da competição podem criar ainda mais oportunidades para surpresas, ampliando a imprevisibilidade já observada historicamente nos Mundiais.
Os dados mostram que favoritos continuam vencendo a maioria dos jogos, mas também reforçam uma das marcas mais tradicionais da Copa do Mundo: quando a bola rola, nem sempre a lógica prevalece.



Publicar comentário