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IBJR questiona estudo da CNC e cobra transparência sobre dados do mercado de apostas

Entidade pede acesso à metodologia após divergência com números oficiais do governo

Às vésperas da divulgação de um novo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) enviou uma notificação formal cobrando transparência metodológica e acesso integral aos dados utilizados no estudo.

O ponto central do questionamento está nas estimativas apresentadas pela CNC. Segundo o levantamento, o varejo brasileiro teria deixado de faturar R$ 103 bilhões em 2024 devido ao direcionamento de recursos para apostas online. Além disso, o estudo indica que os brasileiros teriam gasto cerca de R$ 240 bilhões em plataformas de apostas no mesmo período.

Para o IBJR, essas conclusões são consideradas inconsistentes e desalinhadas com dados oficiais. Informações da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, apontam que a receita bruta do setor (GGR) em 2025 foi de R$ 37 bilhões — valor já descontado dos prêmios pagos aos apostadores, o que, segundo a entidade, torna inviável a estimativa de R$ 240 bilhões em gastos totais.

O IBJR também cita estudos econômicos que indicam impacto limitado das apostas no orçamento das famílias. De acordo com análise baseada em dados oficiais, os gastos líquidos com apostas representam entre 0,2% e 0,5% do consumo total das famílias brasileiras, com impacto estimado entre 0,1% e 0,3% do PIB.

Além disso, indicadores do Banco Central do Brasil e análises do governo federal apontam estabilidade — e até leve redução — no nível de endividamento das famílias entre 2022 e 2024, sem evidências de impacto relevante do setor de apostas nesse cenário.

Cobrança por metodologia e dados

Para garantir maior rigor no debate público, o IBJR solicitou à CNC, com prazo de cinco dias úteis, o envio de informações detalhadas sobre:

  • Base de dados completa utilizada no estudo
  • Fontes primárias e secundárias
  • Universo amostral e tratamento estatístico
  • Modelos econômicos aplicados e variáveis consideradas
  • Critérios utilizados para estabelecer relação entre apostas e impacto no varejo

A entidade argumenta que a ausência de transparência pode comprometer o debate, especialmente diante do uso do estudo como base para propostas legislativas, como o Projeto de Lei nº 1.808/2026, que prevê a proibição das apostas de quota fixa no país.

Debate regulatório em foco

O IBJR reforça que defende um ambiente regulado, com fiscalização e base em dados concretos. A associação afirma reconhecer a importância de estudos sobre o setor, mas destaca que análises sem rigor metodológico podem induzir interpretações equivocadas e influenciar decisões públicas de forma desproporcional.

O tema ganha relevância em um momento de expansão e regulamentação do mercado de apostas no Brasil, exigindo maior precisão nas informações e responsabilidade na condução do debate.

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