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ANJL rebate estudo da CNC e contesta relação entre apostas e endividamento no Brasil

Entidade defende uso de dados oficiais e aponta fatores estruturais como principais causas da inadimplência

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou os números divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre o impacto das apostas online no endividamento das famílias brasileiras. Segundo a entidade, os dados apresentados não refletem a realidade do mercado e contradizem informações oficiais.

A associação afirmou que recortes amostrais não podem se sobrepor a bases públicas consolidadas e rejeitou a ideia de uma relação direta entre apostas e inadimplência. Para a ANJL, o debate precisa ser conduzido com base em evidências técnicas e análise econômica consistente.

Perfil dos apostadores indica diversidade de gastos

Dados compilados pela Pay4Fun mostram que cerca de 28 milhões de brasileiros apostaram em 2025. Desse total, mais da metade (53,3%) teve gastos mensais de até R$ 50.

Já os apostadores com despesas superiores a R$ 1 mil representam 19,5%, evidenciando um comportamento heterogêneo no consumo.

Estudo da LCA Consultoria Econômica aponta que os gastos com apostas correspondem a aproximadamente 0,46% do consumo das famílias brasileiras. O gasto líquido médio mensal por apostador foi estimado em R$ 122, equivalente a 3,3% da renda desse público.

Endividamento tem causas estruturais

A ANJL argumenta que o endividamento no Brasil é um problema histórico e multifatorial. Entre os principais fatores, a entidade destaca:

  • Altas taxas de juros
  • Custo elevado do crédito
  • Pressão do custo de vida sobre a renda

O crédito rotativo do cartão foi citado como uma das principais fontes de inadimplência, com impacto significativamente maior do que o das apostas online.

Defesa da regulação

A associação também reforçou que o mercado regulado opera sob supervisão do Ministério da Fazenda, com regras voltadas à identificação de usuários, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor.

Segundo a entidade, enfraquecer o ambiente regulado pode favorecer operadores clandestinos, que atuam sem fiscalização, sem recolhimento de tributos e sem garantias para os usuários.

Debate público em foco

A ANJL afirmou estar aberta ao diálogo, mas defende que qualquer discussão sobre o setor deve ser conduzida com responsabilidade e base em dados concretos.

A entidade propõe que o foco esteja no fortalecimento da regulação, na educação financeira e na proteção do consumidor — pilares considerados essenciais para o desenvolvimento sustentável do mercado de apostas no país.

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