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Atacarejos pressionam governo Lula por restrições mais duras contra bets

A Associação Brasileira dos Atacarejos apresentou ao vice-presidente Geraldo Alckmin um conjunto de propostas para endurecer o combate às plataformas de apostas no país. O encontro aconteceu nesta segunda-feira, em Brasília, e terminou com o compromisso de encaminhamento das sugestões ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a entidade, o crescimento das bets estaria comprometendo a renda das famílias brasileiras, especialmente entre consumidores de menor poder aquisitivo.

A associação reúne grandes empresas do setor atacarejista, incluindo Assaí Atacadista e Atacadão.

Durante a reunião, o presidente do conselho da ABAAS e CEO do Assaí, Belmiro Gomes, entregou ao governo um documento intitulado “A roda da economia está travando”.

O material sustenta que parte relevante da renda anteriormente destinada ao consumo básico estaria migrando para plataformas de apostas online, ampliando dificuldades econômicas entre famílias endividadas.

A associação cita dados da NielsenIQ indicando que 76% dos lares brasileiros realizam compras em redes de atacarejo.

Segundo a entidade, enquanto o varejo voltado à alta renda apresentou crescimento nos últimos trimestres de 2025, segmentos voltados à população de baixa renda registraram retração.

“Em 2025, a cesta básica ficou mais barata. Mesmo assim, o consumo da baixa renda recuou. O problema não é preço — é renda comprometida”, afirma o documento apresentado ao governo.

A ABAAS propôs quatro medidas principais para restringir a atuação das apostas online no país.

A primeira sugere acelerar bloqueios de URLs e DNSs ligados a plataformas ilegais por meio da Agência Nacional de Telecomunicações.

A segunda proposta prevê criação de uma “lista negra” de chaves Pix associadas a operações ilegais de apostas, incluindo encerramento automático das contas vinculadas.

Outra sugestão envolve responsabilização das grandes plataformas digitais pela publicidade de serviços de apostas online.

A quarta medida propõe proibir patrocínios cruzados entre apostas esportivas e cassinos online.

A associação também utilizou o combate histórico ao tabagismo no Brasil como referência para construção de políticas públicas relacionadas às apostas.

Segundo o documento, o país conseguiu reduzir drasticamente o consumo de cigarros ao longo de décadas sem necessidade de proibição total da atividade.

A ABAAS defende uma estratégia baseada em cinco frentes integradas: advertências dentro das plataformas, restrições graduais à publicidade, aumento progressivo de impostos, campanhas educativas do Ministério da Saúde e ampliação do tratamento de ludopatia pelo Sistema Único de Saúde.

De acordo com a entidade, o tratamento do tema sob perspectiva de saúde pública ajudaria a reduzir polarizações políticas no debate.

O setor também afirmou ao governo que o programa Desenrola 2.0 representa avanço, mas ainda insuficiente diante do crescimento do endividamento associado às apostas.

O programa federal prevê bloqueio temporário de acesso às bets para beneficiários que aderirem à renegociação de dívidas com garantias públicas, atingindo estimativa entre 15 e 20 milhões de pessoas.

As propostas surgem em meio à intensificação das discussões sobre o impacto econômico e social das apostas online no Brasil, tema que passou a ocupar espaço central tanto no debate regulatório quanto nas articulações políticas relacionadas às eleições de 2026.

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