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Pesquisa aponta que 32% dos motoboys fizeram apostas online em 2025

Um levantamento realizado pela startup Trampay revelou que 32% dos motoboys ativos em plataformas de delivery realizaram apostas online ao longo de 2025. O estudo ouviu 6 mil entregadores e traçou um panorama sobre a relação entre trabalhadores de aplicativos, dificuldades financeiras e crescimento das bets no Brasil.

Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, cerca de 40% dos entregadores que apostam utilizam os jogos como tentativa de complementar a renda mensal.

A fintech atua desde 2020 oferecendo conta digital para entregadores de aplicativos e afirma atender aproximadamente 35 mil profissionais da categoria. Segundo a empresa, já foram movimentados R$ 3 bilhões em operações financeiras e concedidos R$ 200 milhões em crédito, com índice de inadimplência próximo de zero.

O levantamento identificou que os motoboys apostadores gastam, em média, R$ 100 por mês em plataformas de jogos online.

Entre os trabalhadores que realizam apostas, 65% relataram enfrentar dificuldades financeiras. Os principais problemas mencionados foram dívidas relacionadas à motocicleta, despesas domésticas e custos de manutenção do veículo utilizado no trabalho.

Além disso, 34% afirmaram enfrentar emergências financeiras frequentes, enquanto apenas 10% disseram conseguir manter alguma reserva de dinheiro.

O estudo aponta que parte desses trabalhadores ampliou as jornadas de trabalho para tentar compensar perdas financeiras e despesas emergenciais. A falta de acesso a crédito formal também leva muitos profissionais a recorrerem a empréstimos informais ou agiotas.

Segundo Jorge Caldas Júnior, o perfil predominante identificado entre os apostadores é formado por homens jovens, negros, moradores de periferias e inseridos em contextos de renda mais baixa.

“São homens de baixa renda, negros, de periferia, entre 18 e 33 anos, cujos ídolos estão oferecendo bets o tempo inteiro”, afirmou o executivo.

A pesquisa também investigou a percepção emocional dos entregadores sobre as apostas online. Os entrevistados associaram as bets a termos como dinheiro, adrenalina, diversão, emoção e possibilidade de ganhos extras.

Para a Trampay, o comportamento reflete uma combinação entre entretenimento e esperança de ascensão financeira rápida.

A renda média dos motoboys entrevistados ficou em torno de R$ 2.400 mensais.

“Eles têm apetite por adrenalina. E como julgam não conseguir pagar parte das dívidas com sua renda, apostam para tentar ganhar mais dinheiro. O que no final do dia não acontece e vira uma bola de neve”, declarou Jorge Caldas Júnior.

Os resultados aparecem alinhados a pesquisas nacionais anteriores. Um levantamento do Datafolha divulgado em 2024 apontou que 30% dos brasileiros entre 16 e 24 anos já haviam realizado apostas online.

A Trampay informou que o estudo integrou a primeira edição do TD Impacta, iniciativa criada pelo Programa Tesouro Direto em parceria com a B3 e executada pela Artemisia, voltada a negócios de impacto social.

Com base nos resultados da pesquisa, a empresa criou uma ação de educação financeira destinada aos entregadores.

O projeto inclui um curso rápido produzido em parceria com uma influenciadora motociclista, abordando gestão financeira e riscos relacionados às apostas digitais. Como incentivo, os participantes receberam R$ 40 em aplicação inicial no Tesouro Direto ao final da capacitação.

Jorge Caldas Júnior também criticou a diferença entre a facilidade de acesso às plataformas de apostas e a complexidade percebida para realizar investimentos tradicionais.

“O rito para ingressar no Tesouro Direto envolve páginas e páginas, abrir conta, corretora. Já as bets, com dois cliques você está dentro”, afirmou.

Segundo ele, trabalhadores em condições financeiras mais vulneráveis enfrentam barreiras para investir e construir patrimônio, enquanto encontram acesso simples e imediato às plataformas de apostas online.

O executivo defendeu que educação financeira e iniciativas de impacto social podem ajudar a reduzir o problema entre trabalhadores precarizados, muitos deles submetidos a jornadas de até 14 horas diárias sobre motocicletas para garantir renda mínima.

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