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Investigação aponta apostas suspeitas na Polymarket antes de eventos militares e decisões políticas

Levantamento identificou dezenas de contas com operações altamente lucrativas e timing considerado incomum em mercados de previsão

Uma investigação do jornal The New York Times lançou novos questionamentos sobre a integridade dos mercados de previsão ao identificar dezenas de contas da plataforma Polymarket com padrões de apostas considerados suspeitos antes de eventos de grande impacto geopolítico e político.

A análise encontrou mais de 80 usuários com movimentações incomuns entre 2024 e 2026, incluindo apostas feitas poucas horas antes de ataques militares, decisões governamentais e acontecimentos políticos relevantes que renderam lucros expressivos.

O caso mais chamativo envolve apostas realizadas pouco antes do ataque de Israel ao Irã.

Segundo a investigação, 13 usuários apostaram cerca de US$ 140 mil em um cenário que o mercado considerava improvável: uma ofensiva israelense até o fim daquela semana. Horas depois, o ataque aconteceu, transformando as apostas em mais de US$ 600 mil em ganhos.

O dado chamou ainda mais atenção porque parte dessas contas havia sido criada poucos dias antes das operações.

Outro episódio sob suspeita envolve apostas relacionadas à queda de Nicolás Maduro.

Com probabilidades baixas apontando para a permanência do líder venezuelano no poder, um usuário fez apostas agressivas prevendo sua saída ainda naquele mês. Após a captura de Maduro, a operação teria gerado mais de US$ 400 mil em lucro.

Casos semelhantes também surgiram em apostas sobre acordos diplomáticos, decisões regulatórias envolvendo criptomoedas e até perdões presidenciais nos Estados Unidos.

Em um dos episódios, um usuário apostou repetidamente que Joe Biden concederia perdão ao irmão. Menos de uma hora após a última aposta, a decisão foi anunciada oficialmente, resultando em ganho estimado de US$ 200 mil.

A investigação também identificou sinais de possível coordenação entre contas.

Em alguns casos, dezenas de perfis fizeram apostas praticamente simultâneas, levantando suspeitas sobre uso de bots automatizados ou fragmentação estratégica das operações para reduzir rastros e evitar chamar atenção do mercado.

O crescimento acelerado das plataformas de previsão aumentou a preocupação sobre possível uso de informações privilegiadas.

Esses mercados funcionam como ambientes onde usuários apostam em probabilidades de acontecimentos futuros, incluindo guerras, eleições, decisões econômicas e eventos regulatórios.

Especialistas alertam que, diferentemente de mercados tradicionais altamente fiscalizados, esse modelo ainda enfrenta desafios regulatórios importantes, especialmente quando eventos sensíveis envolvem acesso a informações não públicas.

Uma organização anticorrupção também reforçou os alertas ao identificar padrões semelhantes em apostas ligadas a eventos militares, com desempenho anormalmente lucrativo em cenários improváveis.

A principal rival da Polymarket, a Kalshi, já revelou ter aberto centenas de investigações internas relacionadas a possíveis casos de insider trading, com alguns processos ainda ativos.

A Polymarket afirma monitorar continuamente atividades suspeitas e diz cooperar com autoridades quando necessário. A empresa sustenta que o uso de informações privilegiadas não tem espaço dentro da plataforma.

Apesar dos indícios levantados, a própria investigação ressalta que os dados públicos, sozinhos, não permitem comprovar definitivamente que houve uso ilegal de informação privilegiada.

Ainda assim, o caso amplia o debate sobre fiscalização, transparência e os riscos de manipulação em um mercado que movimenta dezenas de bilhões de dólares e cresce rapidamente no cenário global.

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