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Mais de 500 mil brasileiros pediram bloqueio voluntário em plataformas de apostas, revela Ministério da Fazenda

Ferramenta criada pelo governo registra alta procura e expõe impacto crescente das apostas na saúde mental e no comportamento financeiro dos usuários

O avanço das apostas online no Brasil começa a revelar efeitos concretos no comportamento dos usuários. Dados do Ministério da Fazenda mostram que mais de meio milhão de brasileiros já solicitaram voluntariamente o bloqueio do próprio acesso às plataformas de apostas regulamentadas no país.

Nos primeiros cinco meses de funcionamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, foram registradas cerca de 519 mil solicitações de bloqueio, número que representa uma média impressionante de 144 pedidos por hora.

A ferramenta foi criada para permitir que os próprios apostadores interrompam o acesso às casas de apostas legalizadas de forma centralizada, sem precisar solicitar a exclusão individualmente em cada operadora.

Hoje, o sistema bloqueia o acesso a aproximadamente 200 marcas autorizadas a operar no mercado brasileiro.

O dado mais preocupante está no motivo apresentado pelos usuários.

Segundo as informações levantadas, 40% dos pedidos foram motivados pela percepção de perda de controle sobre o jogo, com impacto direto na saúde mental.

O volume reforça o alerta sobre o crescimento de comportamentos associados ao jogo compulsivo no ambiente digital.

Outro dado que chama atenção é o perfil das exclusões.

Sete em cada dez usuários optaram por bloqueios sem prazo determinado, indicando que muitos enxergam a decisão não como uma pausa temporária, mas como uma tentativa mais definitiva de interromper o hábito.

A plataforma foi desenvolvida justamente para atender pessoas que reconhecem impactos negativos das apostas em suas vidas pessoais, emocionais ou financeiras.

Segundo o próprio Ministério da Fazenda, a proposta é oferecer uma ferramenta de proteção e reflexão para usuários que desejam retomar o controle.

O sistema permite diferentes períodos de bloqueio, com opções que variam entre um mês, três meses, seis meses, nove meses, um ano ou tempo indeterminado.

Quem escolhe a exclusão sem prazo só poderá voltar a acessar as plataformas mediante solicitação formal de reversão da medida.

Além da funcionalidade de bloqueio, o governo também orienta usuários com sinais de dependência para serviços de apoio à saúde pública, incluindo atendimento pelo Sistema Único de Saúde para casos de ludopatia.

Os números reforçam um debate cada vez mais presente no mercado regulado: enquanto as apostas ganham espaço como entretenimento digital e movimentam bilhões, cresce também a necessidade de mecanismos efetivos de proteção ao jogador e prevenção ao jogo problemático.

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