Pesquisa aponta que 25% dos brasileiros apostaram online no último mês
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Meio/Ideia revelou que 25% dos brasileiros realizaram apostas online nos últimos 30 dias. O levantamento ouviu 1.500 pessoas por telefone em todo o país e investigou a relação da população com as plataformas de apostas digitais, além da percepção sobre impactos econômicos e sociais do setor.
O estudo, intitulado “As bets e o Brasil”, possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Segundo os responsáveis pela pesquisa, as apostas online passaram a ocupar espaço central no debate público brasileiro, reunindo forte impacto social, econômico e político.
“A questão política não é condenar os apostadores, é perguntar quem construiu a mesa, quem lucrou com o jogo e quem agora, às vésperas da eleição, deveria apagar as luzes do cassino”, afirmaram Cila Schulman e Mauricio Moura.
Os dados mostram diferenças importantes entre homens e mulheres. Entre os homens, 28,8% afirmaram ter realizado apostas recentemente. Entre as mulheres, o percentual ficou em 21,5%.
Além de apostarem mais, os homens também demonstram maior apoio à continuidade do setor. Segundo o levantamento, 27% deles defendem a manutenção das bets, enquanto entre as mulheres o índice é de 21%.
Já a percepção dos impactos negativos aparece com maior intensidade no público feminino. A pesquisa aponta que 60% das mulheres acreditam que as apostas contribuem para o endividamento das famílias brasileiras, enquanto 48% defendem a proibição total das plataformas no país.
A pesquisa também identificou que a renda não altera significativamente o índice de participação nas apostas online. Os percentuais permaneceram próximos entre diferentes faixas salariais, com exceção dos brasileiros que recebem mais de cinco salários mínimos, grupo que apresentou adesão menor.
Entre os jovens adultos de 25 a 34 anos, o fenômeno também mostrou forte presença no ambiente familiar. Cerca de 34% afirmaram que algum familiar apostou recentemente, enquanto 31% disseram suspeitar que alguém da família aposta escondido.
Regionalmente, o Norte lidera o ranking nacional de apostadores. O levantamento mostra que 41,4% dos entrevistados da região realizaram apostas online recentemente. O Centro-Oeste aparece em seguida com 28,3%, enquanto o Sudeste registrou o menor percentual do país, com 20,6%.
A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre riscos associados às apostas online.
Segundo os dados, 59% dos entrevistados acreditam que as bets contribuem para o aumento do endividamento das famílias. Outros 61,9% afirmam que as plataformas podem provocar vício.
Na faixa etária entre 35 e 44 anos, a preocupação com dependência aparece ainda mais forte, com 69% concordando que as apostas têm gerado vício entre os brasileiros.
Quando questionados sobre uma possível proibição das bets no país, 44% disseram apoiar a medida, enquanto 24% se posicionaram contra.
O estudo identificou ainda um terceiro grupo relevante: 33% dos entrevistados defendem a continuidade das apostas online, mas apoiam restrições à publicidade das plataformas.
Os pesquisadores também relacionaram o crescimento das bets ao cenário político e econômico do país. Segundo a análise do instituto, o governo enfrenta desafios ligados à arrecadação do setor, à expansão do mercado ilegal e ao impacto social das apostas.
O levantamento cita que o mercado regulado de apostas gerou quase R$ 10 bilhões em impostos e taxas em 2025, ao mesmo tempo em que o país enfrenta debates sobre endividamento familiar e dependência em jogos.
A pesquisa ainda aponta que plataformas ilegais continuam operando amplamente, o que, segundo especialistas, pode crescer caso restrições mais severas sejam impostas apenas às empresas regulamentadas.
Além do tema das apostas, o estudo também avaliou o cenário político nacional. Segundo os dados divulgados, a avaliação do governo foi considerada ruim ou péssima por 46,3% dos entrevistados.
O instituto informou que novas edições da pesquisa serão divulgadas mensalmente até outubro, abordando temas como custo de vida, endividamento e mercado de trabalho.
Outro dado destacado foi o amplo apoio popular ao fim da escala de trabalho 6×1. Cerca de 73,7% dos entrevistados afirmaram apoiar mudanças no modelo atual de jornada, apontando mais tempo com a família e descanso como principais benefícios.



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