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Operação Resina Oculta desarticula esquema que unia tráfico de drogas e apostas ilegais para lavar dinheiro

Polícia Civil do DF cumpre prisões e bloqueia contas milionárias após identificar rede interestadual com empresas fantasmas e plataformas clandestinas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Resina Oculta, que desarticulou uma organização criminosa suspeita de combinar tráfico de drogas com lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e plataformas ilegais de apostas online. Ao todo, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão no Distrito Federal, Goiás, Maranhão e Amazonas.

Segundo as investigações, o grupo utilizava estruturas empresariais fictícias e sites clandestinos de apostas para ocultar recursos provenientes da venda de haxixe, skunk e cocaína. A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 50 pessoas jurídicas, com limite de até R$ 15 milhões por empresa, além do sequestro de sete veículos de luxo. Doze pessoas físicas também tiveram valores bloqueados.

A apuração teve início em outubro de 2025, após a apreensão de 47,4 quilos de haxixe e 877 gramas de skunk em um apartamento desocupado no Riacho Fundo. A partir desse episódio, os investigadores identificaram uma rede interestadual de tráfico e ocultação de capitais.

Com o uso de técnicas de inteligência e análise financeira, a polícia conseguiu mapear o fluxo de recursos movimentados pela organização. Foram identificadas remessas milionárias enviadas regularmente para a região Norte do país, especialmente para cidades próximas a áreas de fronteira, como Manaus.

No Distrito Federal, quatro integrantes foram apontados como responsáveis pela recepção e distribuição de grandes volumes de entorpecentes. O grupo atuava como centro de distribuição na capital e no Entorno, abastecendo traficantes de menor escala que realizavam a venda ao consumidor final.

A estrutura criminosa foi dividida em núcleos operacionais em diferentes estados. Em São Luís, empresas registradas em nome de terceiros funcionavam como pontos de movimentação financeira. Em Manaus, um núcleo composto por três mulheres teria atuado na pulverização de valores para dificultar o rastreamento. Já em Goiânia, um jovem frentista foi identificado como “laranja” responsável por movimentar recursos por meio de empresas registradas em seu nome.

A investigação revelou que um empresário maranhense possuía 22 CNPJs utilizados no esquema, sendo que apenas uma dessas empresas teria movimentado cerca de R$ 30 milhões em um período de 45 dias. Diligências apontaram que diversos endereços cadastrados não possuíam atividade comercial real, reforçando a hipótese de uso dessas companhias para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.

Em Goiânia, um jovem de 19 anos figurava como proprietário formal de dez empresas ligadas ao fluxo financeiro da organização, apesar de possuir renda incompatível com as movimentações identificadas. Para a polícia, ele era utilizado como intermediário para ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema.

Outro ponto investigado envolve uma mulher em Manaus que utilizava uma loja virtual de sapatos com grande presença nas redes sociais para justificar movimentações financeiras suspeitas. Segundo os investigadores, o perfil comercial servia para lavar dinheiro proveniente do tráfico.

Ao menos 15 plataformas ilegais de apostas foram mapeadas durante a operação. Nenhuma possuía autorização para operar no Brasil. Muitas eram promovidas nas redes sociais e atraíam milhares de usuários com jogos populares, funcionando como mecanismo para simular atividades legais enquanto movimentavam recursos ilícitos.

O modelo permitia a circulação rápida de grandes quantias e a fragmentação dos valores, dificultando o rastreamento pelas autoridades. Parte dessas transações também estaria associada a fraudes virtuais, com envio de recursos para diferentes estados e pulverização por meio de empresas fantasmas.

Além dos principais alvos, as investigações indicaram que pelo menos 29 pessoas adicionais ligadas ao tráfico no Distrito Federal e Entorno utilizavam o mesmo sistema financeiro para ocultação de recursos. Mandados também foram expedidos contra esses investigados.

De acordo com a Polícia Civil, a operação revelou uma organização altamente estruturada que integrava tráfico de drogas, tecnologia digital e empresas fictícias para movimentar milhões em todo o país. As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas nos próximos dias.

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