Apostas online atingem 10% dos brasileiros e parte busca renda extra para pagar contas
Pesquisa Datafolha revela perfil dos apostadores e aponta relação com endividamento
Dez por cento dos brasileiros afirmam ter o hábito de utilizar plataformas de apostas ou cassinos online, segundo levantamento do Datafolha. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios do país, com coleta realizada nesta terça-feira e quarta-feira, e margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Entre os entrevistados que declararam apostar — grupo de 209 pessoas —, 46% afirmaram que utilizam as plataformas com o objetivo de obter renda extra para ajudar no pagamento de contas. No total da amostra, 5% disseram já ter apostado com esse mesmo propósito, enquanto 1% admitiu ter utilizado dinheiro destinado a despesas mensais em apostas.
Ainda de acordo com o levantamento, 10% dos participantes afirmaram apostar com alguma frequência. Desse grupo, 2% relataram apostar frequentemente, 4% disseram fazê-lo ocasionalmente e outros 4% raramente.
O perfil dos apostadores é majoritariamente masculino: 14% dos homens declararam apostar, contra 7% das mulheres. A pesquisa também indica predominância entre jovens com ensino médio completo e renda de até dois salários mínimos, equivalente a R$ 3.242.
Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), as apostas têm impacto no endividamento, mas não são o único fator. Segundo o especialista, o cenário é resultado da combinação de variáveis econômicas e comportamentais.
“As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas. E também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja muito importante. É a combinação de diversos fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia”, afirmou.
No Brasil, ainda há escassez de estudos independentes e aprofundados sobre o tema. Já nos Estados Unidos, uma pesquisa conduzida pelo National Bureau of Economic Research (NBER) identificou impactos diretos das apostas na saúde financeira das famílias.
O estudo analisou códigos específicos de transações financeiras relacionadas a jogos e apostas, conseguindo mapear com precisão os gastos em grandes plataformas do setor. Os resultados indicam que, para cada dólar gasto em apostas, há uma redução equivalente de um dólar em poupança ou investimentos.
No cenário brasileiro, um levantamento encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável aponta que o impacto das apostas no consumo das famílias ainda é limitado. De acordo com a consultoria econômica LCA, os gastos com apostas representam 0,46% do consumo total, patamar próximo ao de bebidas alcoólicas, que correspondem a 0,5%.
Os dados reforçam que, embora o hábito de apostar esteja presente em uma parcela relevante da população, seus efeitos econômicos ainda são analisados sob diferentes perspectivas no país.



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