COB fecha primeiros contratos do novo programa de patrocínio e amplia repasse ao esporte olímpico
Modelo inédito permite que parte dos investimentos privados seja direcionada diretamente às confederações esportivas, fortalecendo a base olímpica brasileira
O Comitê Olímpico do Brasil deu início a uma nova estratégia de captação de recursos ao formalizar os primeiros contratos do Programa Olímpico de Patrocínio. A iniciativa, fechada em 2026, marca uma mudança importante na relação entre patrocinadores e o esporte olímpico nacional, ao permitir que parte do investimento privado seja destinada diretamente às confederações esportivas.
A Caixa Econômica Federal e a Tigre foram as primeiras empresas a aderirem ao modelo. No caso da Caixa, o acordo prevê um investimento anual de R$ 40 milhões no COB, totalizando R$ 160 milhões até o encerramento do ciclo olímpico de 2028. Parte desse montante será redistribuída entre entidades esportivas habilitadas dentro do programa. O valor do contrato firmado com a Tigre não foi revelado.
Ao todo, 38 confederações de modalidades olímpicas fazem parte da estrutura do comitê brasileiro, mas apenas 26 foram incluídas no programa. Ficaram de fora entidades com maior capacidade própria de captação, como futebol, vôlei, judô, basquete, ginástica artística, atletismo e tênis. Também não entraram no modelo cinco modalidades que estrearão no programa olímpico de Los Angeles 2028: lacrosse, flag football, beisebol, cricket e squash.
O formato segue uma lógica semelhante à adotada pelo Comitê Olímpico Internacional, que distribui parte das receitas obtidas com grandes patrocinadores globais entre comitês nacionais. Segundo o presidente do COB, Marco Antônio La Porta, trata-se de uma mudança histórica na estrutura financeira da entidade.
Pela primeira vez, recursos privados captados pelo comitê poderão beneficiar diretamente as confederações esportivas, ampliando o alcance das ativações comerciais e fortalecendo diferentes modalidades dentro do ecossistema olímpico brasileiro.
O programa, no entanto, vale apenas para novos contratos. Parcerias firmadas antes da criação do modelo não entram automaticamente na iniciativa e só poderão ser incluídas em futuras renovações.
A movimentação reforça a estratégia do COB de ampliar a dependência de investimentos privados como motor de crescimento financeiro, complementando receitas públicas e repasses institucionais.
A Caixa destacou que mantém uma longa trajetória de apoio ao esporte olímpico e paralímpico brasileiro, com parcerias históricas em modalidades como atletismo e ginástica, além do Comitê Paralímpico Brasileiro. Segundo a instituição, os recursos investidos ajudam a manter mais de 160 centros e núcleos de iniciação esportiva espalhados pelo país, com foco em inclusão social e desenvolvimento esportivo.
Já a Tigre optou por expandir seu apoio também para modalidades aquáticas e canoagem. Segundo a empresa, a decisão foi motivada pela conexão entre seu propósito institucional e a importância da água no universo esportivo, da preparação à competição.
Para 2026, o orçamento previsto do Comitê Olímpico do Brasil é de R$ 679 milhões. A maior parte dos recursos virá das loterias, enquanto outra fatia relevante será abastecida pela tributação do mercado de apostas esportivas regulamentadas. Os aportes privados aparecem como uma das frentes estratégicas para diversificar receitas e fortalecer a sustentabilidade financeira do esporte olímpico nacional.



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