Governo e indústria destacam avanços e desafios após um ano do mercado regulado de apostas no Brasil
Painel no BIS SiGMA South America reúne autoridades e especialistas para discutir combate à ilegalidade e integridade esportiva
Autoridades governamentais e representantes da indústria de apostas online se reuniram, nesta terça-feira, em São Paulo, para avaliar os primeiros 12 meses do mercado regulado brasileiro. O debate ocorreu durante o painel de abertura do BIS SiGMA South America, que abordou os avanços da regulamentação e os desafios no combate a práticas ilegais e manipulação de resultados.
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, abriu o encontro destacando a integração entre o setor público e privado como fator decisivo para a organização do mercado. Ele ressaltou que o Brasil já ocupa a posição de quinto maior mercado global em faturamento de apostas online, reforçando o peso econômico da atividade no país.
Representando o Ministério do Esporte, Giovanni Rocco Neto apresentou ações voltadas à integridade esportiva, com destaque para a criação de uma política nacional de enfrentamento à manipulação de resultados. Entre as iniciativas, estão treinamentos específicos para autoridades policiais e a implementação de um sistema de monitoramento de odds em tempo real, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará.
Segundo o secretário, a atuação coordenada já apresenta resultados concretos, com redução significativa nos alertas de integridade registrados por instituições do setor. Ele também destacou a adesão do Brasil à Convenção de Macolin, posicionando o país como referência na América Latina em políticas de combate à manipulação.
Pelo Ministério da Fazenda, Fabio Macorin detalhou as estratégias adotadas para enfrentar operadores ilegais. As ações estão estruturadas em quatro frentes: bloqueio de sites em parceria com a Anatel, rastreamento financeiro de transações, controle da publicidade e avanço regulatório. De acordo com o subsecretário, mais de 27 mil sites já foram bloqueados até o momento.
No campo econômico, Bárbara Teles, representante da indústria, destacou a relevância da arrecadação gerada pelo setor, estimada em cerca de R$ 15 bilhões em tributos. Ela apontou o cenário eleitoral e possíveis mudanças tributárias como fatores de atenção para os próximos meses, além da necessidade de melhorar a comunicação com a sociedade sobre os benefícios do mercado regulado.
Os participantes convergiram na avaliação de que o primeiro ano de regulamentação trouxe avanços importantes, especialmente na estruturação do mercado e no fortalecimento da fiscalização. Ao mesmo tempo, reforçaram que o aprimoramento contínuo das regras e a cooperação entre governo e empresas serão essenciais para garantir a sustentabilidade do setor.
O painel também destacou que tecnologia, integração institucional e transparência são pilares fundamentais para consolidar o ambiente regulado e ampliar a confiança no mercado brasileiro de apostas.



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