Operação mira esquema bilionário de apostas ilegais e bloqueia patrimônio de R$ 5,2 bilhões em São Paulo
Polícia Civil e Ministério Público cumprem mandados contra grupo suspeito de explorar plataformas clandestinas de apostas e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada
Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo mobilizou agentes nesta quinta-feira para desarticular um suposto esquema bilionário de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Falsa Las Vegas, a ação cumpre cinco mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes de uma rede empresarial suspeita de movimentar recursos por meio de plataformas clandestinas de jogos.
As autoridades também solicitaram o sequestro de 76 imóveis e o bloqueio de bens pertencentes a dezenas de pessoas físicas e jurídicas. O patrimônio atingido pelas medidas cautelares é estimado em R$ 5,2 bilhões.
Segundo as investigações, o grupo utilizaria empresas formalmente constituídas para dar aparência de legalidade a operações relacionadas ao mercado de apostas. Entre os principais alvos estão a Aposte Fácil, credenciada pela loteria estadual do Rio de Janeiro, e a plataforma Black Vegas, hospedada fora do Brasil.
Investigação aponta estrutura para ocultar movimentações financeiras
De acordo com a Polícia Civil, as duas plataformas desempenhariam funções diferentes dentro do esquema investigado.
Enquanto a Aposte Fácil operaria com uma estrutura empresarial formal e aparência de regularidade, a Black Vegas seria utilizada para oferecer jogos proibidos pela legislação brasileira. Os pagamentos seriam realizados principalmente por meio do Pix, utilizando intermediários e contas de terceiros para dificultar a identificação dos verdadeiros destinatários dos recursos.
Os investigadores afirmam que esse modelo teria sido criado para ocultar os beneficiários finais das operações financeiras e dificultar a rastreabilidade dos valores movimentados.
Operação surgiu a partir de investigação anterior
A Operação Falsa Las Vegas é considerada um desdobramento da Operação Falso Mercúrio, realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em dezembro de 2025.
Na ocasião, as autoridades bloquearam cerca de R$ 6 bilhões em contas bancárias ligadas a dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas por supostos crimes de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com integrantes do crime organizado.
O novo avanço das investigações ocorreu após a análise de materiais apreendidos durante aquela operação.
Documentos físicos, cadernos manuscritos e conteúdos extraídos de equipamentos eletrônicos revelaram indícios de uma estrutura voltada à exploração clandestina de jogos de azar e à ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada, contas de passagem e utilização de laranjas.
Empresas teriam papel central na operação
As investigações apontam a Aposte Fácil e a ASX Participações e Tecnologia como peças importantes dentro da estrutura investigada.
As duas empresas possuem um sócio em comum e estão registradas em cidades da Região Metropolitana de São Paulo. A Aposte Fácil tem sede em Itapevi, enquanto a ASX está localizada em Barueri.
Segundo a polícia, a ASX seria responsável por funções estratégicas dentro do grupo. Relatórios apontam que o endereço da empresa funcionaria como um possível centro de captação, circulação e ocultação de recursos.
Durante as buscas anteriores, os investigadores encontraram anotações relacionadas a apostas clandestinas, pagamentos realizados por meio de máquinas financeiras e registros de repasses destinados a influenciadores digitais.
Esses elementos reforçaram a suspeita de que a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa seria incompatível com o objeto social registrado oficialmente.
Documentos indicam compra de plataforma clandestina
Entre os materiais apreendidos, a polícia afirma ter localizado registros manuscritos que apontariam a aquisição da plataforma Black Vegas por integrantes ligados à Aposte Fácil.
Segundo as anotações, a negociação teria sido realizada por aproximadamente R$ 1 milhão, valor que apareceria parcelado em diferentes registros financeiros encontrados durante as diligências.
Os investigadores também apuram a utilização de empresas registradas em nome de terceiros para ocultar os verdadeiros controladores da estrutura empresarial.
De acordo com o relatório policial, existem indícios de lavagem patrimonial e ocultação de bens por meio dessas pessoas interpostas.
Investigações continuam
As autoridades ainda analisam os materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados e não descartam novas fases da operação.
A Polícia Civil e o Ministério Público buscam esclarecer a dimensão financeira da suposta organização e identificar todos os envolvidos na estrutura investigada.
Até o momento, os investigados são tratados como suspeitos, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça. As empresas citadas na investigação poderão apresentar suas versões dos fatos ao longo do processo.
Os próximos desdobramentos da Operação Falsa Las Vegas dependerão da análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e demais provas recolhidas durante as buscas realizadas nesta quinta-feira.



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